Após 22 dias sem energia por conta de apagão, Amapá volta a ter 100% de energia

O estado estava a 22 dias sem energia elétrica por conta de uma explosão seguida de incêndio nos três transformadores em subestação

Moradores amapaenses fizeram protestos contra a falta de energia

A Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE) concluiu na madrugada desta terça-feira (24) o restabelecimento da carga de energia em dois transformadores na sua subestação. Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME), também confirmou a retomada de 100% no fornecimento de energia no estado do Amapá, dando fim ao rodízio. A previsão era de que a montagem do segundo transformador, que veio do município de Laranjal do Jari, a 265 km de Macapá, fosse concluída no dia 26 de novembro, mas a empresa conseguiu antecipar o prazo.

O apagão que ocorreu no estado por conta de um incêndio que atingiu a principal subestação na noite do dia 3 de novembro durou 22 dias. 13 cidades do estado foram atingidas e ficaram sem energia elétrica, incluindo a capital Macapá. No dia 17, um novo apagão ocorreu, levando o estado novamente ao breu. O serviço começou a ser retomado no dia 7 de novembro, e a distribuição para 90% da população estava sendo feita através de rodízio, de 3 e de 4 horas.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou a capital do Estado do Amapá, Macapá, neste sábado (21), dia em que geradores termoelétricos contratados para contornar as falhas no fornecimento começaram a funcionar parcialmente. Bolsonaro viajou acompanhado do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do senador Davi Alcolumbre e foi recebido com xingamentos e vaias da população em Macapá.

Bolsonaro visitou Macapá e foi vaiado e xingado pelos moradores locais. Reprodução/Internet

Em seu discurso, Bolsonaro disse que o governo federal fez tudo o que podia para retomar o fornecimento da energia no estado. “Podemos garantir que a segurança energética vai permanecer nesse estado daqui pra frente. […] Estavam carentes, mas não sem assistência. Desde o começo fizemos todo o possível para restabelecer a energia no estado”.

Durante a visita, o presidente anunciou que irá editar uma medida provisória voltada aos consumidores de energia do Amapá, na qual a União irá pagar a conta de energia dos afetados pela crise energética por 30 dias retroativos à data da assinatura da medida.

Pedido de afastamento da diretoria

No dia 19, a Justiça Federal no Amapá determinou o afastamento da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), por causa do apagão que atinge o estado. A decisão de afastamento havia sido tomada pelo juiz federal do Amapá João Bosco Costa, atendendo a um pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Mas no dia seguinte (20), o presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargador Ítalo Fioravanti Sabo Mendes, derrubou a decisão de primeira instância que havia determinado o afastamento por 30 dias dos atuais diretores da Aneel e do ONS.

Em matéria divulgada, o site Amazônia Real, aponta que a Aneel e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já sabiam dos problemas operacionais na subestação que pegou fogo em Macapá, porém, nunca chegou a receber uma fiscalização presencial dos órgãos responsáveis. Desde o ano passado, um dos três transformadores estava parado para manutenção. Desde o mês de julho, já na pandemia do novo coronavírus, havia quedas de energia elétrica em determinadas regiões do estado.

O ONS é o órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN). A Aneel, por sua vez, tem entre as suas atribuições regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica.

Tarifas altas de conta de luz

Moradores do estado iniciaram um movimento na internet para divulgar quanto pagam por suas contas de energia. Os valores variaram entre R$ 700 e R$ 1,4 mil. Apesar dos valores chocarem, a conta de luz dos consumidores da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) está entre as mais baratas do Brasil. O ranking da Aneel, que inclui 53 concessionárias, mostra que a distribuidora tem a 39ª tarifa residencial mais cara do País, de R$ 0,537 por quilowatt-hora (kWh), valor que é inferior à média nacional, de R$ 0,575 por kWh.

O estudante André Luiz, é um dos moradores que divulgou a tarifa de sua conta de luz em publicação em sua conta pessoal do twitter, em sua residência moram apenas 3 pessoas e o preço varia entre R$ 400 e R$ 900 reais. André informou que o valor das contas são altas a bastante tempo. “A CEA justificou esse aumento por conta da pandemia, mas eu tenho uma conta de 2018 que custou quase MIL reais, porém nessa época não tínhamos pandemia”.

Conta da residência de André referente ao consumo do mês de outubro de 2020

O jornalista Grayton Toledo, morador do estado, afirma que devido ao clima quente e altas temperaturas durante o ano inteiro no local o consumo de energia no estado é muito mais alto que a média, por isso as contas de energia são altas. “ Eu já imaginava que os valores iriam vir mais altos, porque por conta do lockdown para deter o avanço do coronavírus no estado, estávamos ficando em casa 24 horas”.   

O jornalista Grayton, apesar de morar sozinho, também é cobrado em valores altos, mas ele admite o consumo.

Hidrelétricas

No Estado do Amapá existem quatro hidrelétricas em funcionamento, porém três delas tem cerca de 80% de sua produção vendida. “Nós temos uma geração de energia superior a nossa demanda interna, então o restante é depositado num sistema e vendido, caso o estado precise de mais MW, a CEA, precisaria comprar”, esclarece Grayton  .

Durante o apagão a única hidrelétrica que continuou abastecendo o estado foi a Coaracy Nunes, primeira hidrelétrica da Amazônia, localizada na Vila do Paredão, município de Ferreira Gomes e em funcionamento desde 13 de janeiro de 1976, e os 78 MW de potência instalada na hidrelétrica são complementados por 156,8 MW da Usina Termelétrica Santana. “Foi a Coaracy que nos manteve em rodízio, recebendo apenas algumas horas de luz a partir do quinto dia do apagão”, explica Toledo.

A UHE Jari opera no estado desde 2014 no município de Laranjal do Jari – AP, no Rio Jari, com divisa do estado do Pará, foi dela que foi transportado o segundo gerador para restabelecer a energia no estado. Possui uma capacidade instalada de 392,95 MW. A UHE Cachoeira Caldeirão está localizada no Ferreira Gomes, Rio Araguari, com capacidade instalada de 219 MW e em funcionamento desde Agosto de 2016. A UHE Ferreira Gomes, também está localizada na Bacia do Rio Araguari, em Ferreira Gomes, funcionando desde outubro de 2014 com potência de 252 MW. 

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br

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