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Editorial

Veto para inglês ver
Em 29/06/2009
Fonte: Amazonia.org.br

Em tempos em que se discutem ações para conter o desmatamento da Amazônia, a sociedade preocupada pela área socioambiental sofreu um revés: Lula sancionou, com apenas dois vetos, sendo somente um realmente significativo, a Medida Provisória (MP) 458 - mais conhecida como MP da Grilagem, que trata da "regularização" da Amazônia.

Para isso, não valeram os protestos de organizações da sociedade civil, ambientalistas e as mais de sete mil ligações que brasileiros fizeram ao gabinete do presidente Lula para pressionar pelo veto absoluto à MP.  Mais uma vez o governo mostra que para agradar ao setor ruralista é valido colocar a Amazônia em risco.

A proteção ao setor agropecuário, por parte do governo, não é novidade.  Ela ficou evidente desde a edição da MP em 10 de fevereiro quando ONGs e ambientalistas alertaram sobre os perigos da medida, que poderia beneficiar grileiros e proprietários de terra ilegais.  Apesar disso, Asdrúbal Bendes, deputado com histórico conservador, e Kátia Abreu, senadora, presidente da CNA e líder ruralista, foram escolhidos para serem relatores da medida na Câmara dos Deputados e no Senado, respectivamente.  Como resultado, a medida foi aprovada pelos parlamentares sem nenhuma alteração.

Após a decisão do Congresso, foi a vez do presidente.  Dos três vetos pedidos pelos ambientalistas, Lula deu um: o artigo 7° que se referia a posse de empresas e a exploração através de terceiros.  Parte do artigo 8° também não foi aprovada, mas somente por que dizia respeito ao 7°.  Foram vetos pouco expressivos, deixando ainda a possibilidade de se usarem as posses como comprovantes de ocupação, grande temor ambientalista.

Trata-se da famosa decisão salomônica: corta-se a criança pela metade para não desagradar nenhuma das partes: de um lado, o interesse público e, do outro, alguns grupos de interesse particular.  Desta forma a MP continua sendo uma forma de expandir a fronteira agrícola sobre a floresta, deslocando os pequenos proprietários e favorecendo o mecanismo da grilagem.

Essa postura não só mostra a predileção que a atual administração oferece ao agronegócio, como também aponta o receio do governo com relação à sua imagem no âmbito internacional.  A justificativa dada para o veto, que impede a transferência de terras públicas para pessoas jurídicas, foi a de que, se a medida fosse aprovada na íntegra, geraria um desgaste da imagem do governo no exterior.

Mais grave do que isso: o veto só foi escolhido por não constar no acordo feito entre governo e ruralistas no advento da aprovação da medida na Câmara.  A partir disso, o que se pode esperar do futuro da Amazônia?  Nada diferente do que acontece até agora: a devastação da floresta, a não garantia dos Direitos Humanos e, sem dúvida, a multiplicação da desigualdade e a permanência da impunidade.


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