Governo estuda possibilidade de assumir controle da distribuidora CEA do Amapá

A exemplo da federalização da Celg, distribuidora de energia de Goiás, o governo federal cogita assumir a endividada CEA

Avança a incorporação, pelo governo federal, de concessionárias estaduais de energia quebradas. Depois da recente federalização da superendividada Celg, de Goiás, a próxima da lista deverá ser a CEA, do Amapá. Em reunião de rotina com a Eletrobras, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, avisou ontem que o

governo está estudando a possibilidade de a estatal assumir também o controle da distribuidora do Norte, seguindo o modelo de trocar dívidas por ações.

A Eletrobras adquiriu, recentemente, 51% da estatal de distribuição de energia goiana, encerrando uma longa negociação de mais de dois anos que evitou a retomada da concessão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo Lobão, devido à situação financeira da CEA, a Aneel também chegou a recomendar a chamada caducidade da concessão da empresa amapaense. “Apesar disso, estamos negociando uma solução mais amena”, revelou. O ministro informou que, apenas com a Eletronorte, a CEA tem uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão, referente à compra da própria energia revendida ao seu mercado cativo.

Resistência

Ele admite que a tendência é de se adotar com a CEA saída parecida à da Celg. No caso da concessionária goiana, a Eletrobras assumiu o controle como acionista majoritária, vencendo a dura resistência do governador Marconi Perillo (PSDB). Para a empresa do Amapá, revelou Lobão, a situação financeira é ainda mais delicada, exigindo, portanto, um interferência “mais intensa”.

Perillo disse ontem, após encontro com Lobão, que a Eletrobras reafirmou o compromisso de investimentos conjuntos na “nova Celg” de R$ 1,2 bilhão até 2015. Os recursos são necessários para que a concessionária normalize serviços depois de anos de crescentes apagões e quedas nos índices de qualidade apurados pela Aneel. Por esses mesmos critérios, a Companhia Energética de Brasília (CEB) também está ameaçada de perder a concessão.

“Outros acordos a serem realizadas pela Eletrobras com outros devem seguir o mesmo modelo da Celg”, revelou o governador. Ele acrescentou que, até a contratação de um escritório especializado em seleção de executivos, uma diretoria provisória da companhia deve assumir o seu comando nos próximos dois meses.

R$ 4 bilhões a usineiros

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem um programa para incentivar a produção de cana-de-açúcar com financiamentos da renovação dos canaviais e ampliação da área plantada. O Prorenova terá orçamento de R$ 4 bilhões e vigência até 31 de dezembro de 2012. A expectativa é de que os recursos contemplem 1 milhão de hectares e dobrem a produção de etanol até 2013, para 4 bilhões de litros anuais. A preferência dos usineiros pelo açúcar tem elevado preços e importações do combustível.

Por: Sílvio Ribas
Fonte: Correio Braziliense

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