Esforços para superar os gargalos de infraestrutura

Nenhuma capital brasileira experimentou um surto de crescimento tão intenso quanto Manaus nos últimos 45 anos. Em 1967, ano de criação da Zona Franca, a cidade possuía 250 mil habitantes, uma universidade, 173 pequenas indústrias e 828 veículos – eram tão poucos que podiam ser contados com exatidão. Hoje, a população local é sete vezes maior, as universidades já são 13, o Polo Industrial de Manaus abriga 600 empresas – algumas delas as maiores do país em seus segmentos – e a frota de automóveis passa dos 400 mil, gerando congestionamentos diários no fim do dia.

Esse salto só foi possível graças ao regime especial de tributação da Zona Franca de Manaus (ZFM), que primeiro atraiu para a cidade o comércio de artigos importados, depois fábricas com baixos índices de nacionalização e finalmente indústrias com verticalização crescente. No meio do caminho, o projeto para estimular o desenvolvimento em uma região tão isolada enfrentou crises e sofreu constantes correções de rumo – mas nunca deixou de colecionar bons resultados. Não fosse a precária infraestrutura local, sobretudo na área de transportes e energia, imagina-se que a ZFM teria crescido mais.

São seis os principais gargalos que emperram os negócios do Polo Industrial de Manaus (PIM), segundo estudo recém-concluído pela Secretaria do Planejamento do Amazonas: o aeroporto acanhado, os portos insuficientes, as estradas praticamente inexistentes, a matriz energética dependente do diesel, a falta de cobertura telefônica e a formação profissional deficiente. “De uma forma ou de outra, esses problemas estão sendo enfrentados pelos governos federal e estadual e pela iniciativa privada. Mas exigem tempo e, de certa forma, são agravados pelo próprio dinamismo do Polo Industrial, que continua se expandindo”, afirma o secretário do planejamento Aírton Claudino.

Ele reconhece que algumas ações servirão apenas para aliviar as dificuldades de momento. A ampliação do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, por exemplo, com investimentos de R$ 415 milhões e conclusão prevista para dezembro de 2013, não inclui a construção de uma segunda pista e terá a capacidade aumentada apenas para 5 milhões de passageiros ao ano, movimento que deverá ser alcançado já em 2015. O aeroporto opera acima da sua capacidade de carga (144 mil toneladas/ano) desde 2010, e estourou o limite de 2,5 milhões de operações de embarque e desembarque em 2011. É o terceiro principal aeroporto do país em movimentação de carga, atrás de Guarulhos e Viracopos.

No caso dos portos, o alívio só chegará a partir de meados de 2014, quando Manaus deverá terminar a construção de um terminal público de carga, ao custo de R$ 400 milhões, a ser operado por meio de concessão a empresa privada. Ele irá se juntar aos dois que existem hoje, o Chibatão e o Superterminais, que são privados, dobrando a capacidade atual de movimentação de 400 mil TEUs (contêineres no padrão de 20 pés). Faz parte do pacote de investimentos para a Copa do Mundo também a recuperação do antigo porto público da cidade, para passageiros e cargas, orçado em R$ 90 milhões.

Na área da energia a linha de transmissão que vem rasgando a floresta desde a usina de Tucuruí, no Pará, deverá chegar a Manaus no ano que vem, integrando finalmente o Amazonas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao cabo de nove anos de obras e investimentos da ordem de R$ 4 bilhões, o linhão entregará ao Estado 1.500 MW, acima do pico de consumo de Manaus, que foi de 1.160 MW em 2010. Enquanto esse reforço não chega, Manaus segue substituindo o óleo combustível usado nas suas termelétricas pelo gás que chega de Coari.

Por Luiz Maciel
Fonte: Valor Econômico 

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