Caso Celpa revela dificuldades das distribuidoras na região

A situação de dificuldade financeira enfrentada pela distribuidora de energia do Pará, a Celpa, tem levado o governo federal a enfrentar dilemas de outras empresas de distribuição nas regiões Norte e Nordeste. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, disse ontem que parte destas dificuldades financeiras também atingem empresas do grupo Eletrobras.

Hubner acredita que, se não fosse a cobertura de despesas pelo caixa da Eletrobras, algumas distribuidoras do grupo também poderiam sofrer com uma situação semelhante à da Celpa. Uma das principais dificuldades destas distribuidoras é a cobertura de áreas extensas sem retorno financeiro adequado.

O diretor da agência afirmou que outras três distribuidoras do grupo Rede, além da concessionária paraense, possuem altos níveis de endividamento. Ele citou, pelo menos, outras duas empresas endividadas do grupo: a Cemat, de Mato Grosso, e a Bragantino, do interior de São Paulo.

No caso da Celpa, o grupo Rede tem buscado ajuda da Eletrobras, que poderia sanar parte das dívidas assumindo o controle da distribuidora. O assunto foi debatido ontem no Senado. Na ocasião, o presidente do conselho de administração da Celpa, Jorge Queiros Júnior, afirmou que a estatal rejeitou a possibilidade de assumir o controle da distribuidora, apesar de insistentes propostas feitas.

O executivo disse que apresentou um plano de federalização da distribuidora paraense. Nele, a Eletrobras deveria repassar R$ 1,6 bilhão para ajudar a sanar as dívidas. Em troca, a estatal assumiria 49% das ações ordinárias com a possibilidade de assumir o controle quando quisesse “pagando apenas um real a mais” ao grupo Rede. Embora a Eletrobras tenha se recusado a ampliar sua participação societária, ele disse que a estatal ainda pode mudar de ideia.

Ao ser perguntado sobre a federalização, Hubner disse ser contrário à escolha dessa alternativa. Para ele, a solução deve partir do próprio setor privado, pois a companhia atingiu nível elevado endividamento por problemas de gestão.

O diretor da Aneel ressaltou que o governo é sempre criticado quando usa dinheiro para salvar empresas privadas, enquanto poderia empregar os mesmos recursos em áreas importantes. No entanto, Hubner defende que tanto a Eletrobras quanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) devem se esforçar para ajudar o grupo Rede a alavancar recursos com a busca de novos sócios. Segundo ele, a falência da Celpa prejudicaria as duas estatais que possuem participação, direta ou indireta, na Celpa.

O vice-governador do Pará, Helenilson Pontes, também defendeu maior empenho do governo federal na solução dos problemas da Celpa. Ele aproveitou a passagem pelo Senado para dizer que o restante do país precisa fazer um acerto de contas com o Estado.

Por: Rafael Bitencourt
Fonte: Valor Econômico 

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