Reunião tenta dar fim à greve em Jirau

Acontece hoje uma reunião entre empresas, sindicato e Ministério do Trabalho para tentar solucionar a paralisação nas duas obras do complexo hidrelétrico do Rio Madeira, em Rondônia. A greve em Jirau, que já dura 14 dias, causou também uma paralisação na usina de Santo Antônio nesta semana.

A greve começou há duas semanas e foi iniciada pelos trabalhadores da Enesa Engenharia, responsável por parte das obras de Jirau. Há relatos de insatisfação com o ambiente de trabalho e com a superlotação em alojamentos feitos pela empresa. A greve é motivada também pela aproximação da data-base de reajuste salarial da categoria (dia 1º de maio), segundo Enelcio Pereira, diretor de ação social do Sindicato dos Empregados da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).

Dentre os itens de reivindicação dos grevistas, está o aumento de 30% do salário. O reajuste atingiria profissionais de remuneração variada: segundo o sindicato, o mínimo é de R$ 872 mensais (pagos a ajudantes) e o máximo é de cerca de R$ 4 mil (para o mestre de obras). Além do reajuste na remuneração, os trabalhadores pedem aumento do valor da cesta básica de R$ 170 para R$ 350, cinco dias de folga a cada 70 dias trabalhados (atualmente, a folga é a cada 90 dias), entre outras reivindicações. Na quinta-feira da semana passada, o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região determinou o fim da greve dos trabalhadores, sob pena de multa diária de R$ 200 mil aos trabalhadores das duas usinas. Mesmo assim, a greve continuou. Há dois dias, a greve foi julgada ilegal e abusiva.

Apenas parte dos trabalhadores de Santo Antônio, cujas obras são lideradas pela Odebrecht, aderiram à greve. No entanto, a construtora e as outras empresas envolvidas temeram conflitos e atos de vandalismo e, por isso, decidiram paralisar as obras. Segundo o sindicato, por conta da decisão os trabalhadores aguardam em casa a volta ao serviço. “Está tudo parado nas duas usinas”, diz Pereira. O temor em Santo Antônio é causado pelo quebra-quebra ocorrido há um ano em Jirau, quando dezenas de ônibus foram destruídos, além de áreas de lazer e caixas eletrônicos – na época, trabalhadores estariam insatisfeitos com o tratamento recebido, segundo relatos.

Os sindicalistas esperam que, na reunião de hoje (chamada de tripartite, por envolver, além dos trabalhadores e empregadores, o Ministério do Trabalho) seja apresentada uma proposta por parte das empresas envolvidas para dar fim à greve. Foram convocadas a participar as duas sociedades empreendedoras, a Santo Antônio Energia (integrada por Eletrobras Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig, Banif e FI-FGTS) e a Energia Sustentável do Brasil (composta pela controladora GDF Suez, além de Eletrobras Eletrosul, Chesf e Camargo Corrêa). Se houver proposta, os trabalhadores decidirão se aceitam o que foi proposto em assembleia marcada para a próxima segunda-feira.

Segundo as empresas, não há previsão ainda sobre os impactos que a greve pode causar no andamento nas obras ou no cronograma de construção e entrada em operação das usinas. No caso de Jirau, o edital exige que o empreendimento comece a operar no início de 2014. As empresas, no entanto, trabalham com um cronograma mais apertado para a entrada em operação da usina e, em consequência, do início do faturamento.

A previsão, antes da greve, era que a primeira turbina de Jirau entrasse em operação em outubro deste ano. No caso de Santo Antônio, a data para a usina entrar em operação não é mais divulgada oficialmente – depois de o anúncio ser feito para dezembro de 2011 e ter sido cancelado. Pelo edital, o prazo é dezembro de 2012. Segundo nota enviada por meio de assessoria de imprensa, a geração comercial ocorrerá “brevemente”. Juntas, as duas usinas terão capacidade de produzir 6.450 megawatts – o equivalente a metade da potência de Itaipu e 8% da demanda nacional, de acordo com o governo. O investimento total necessário nos dois projetos é de quase R$ 20 bilhões.

Por: Fábio Pupo
Fonte: Valor Econômico 

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