“O apoio do PT é importante, mas não é imprescindível”. É assim, com uma indiferença mal-disfarçada de insatisfação, que o empresário Mauro Mendes (PSB), maior financiador de sua campanha a governador de Mato Grosso em 2010, reage à determinação dos petistas em Cuiabá de lançarem candidatura própria à prefeitura da capital do Estado. A decisão do PT local, tomada por unanimidade em encontro anteontem, tem tanto efeitos regionais quanto nacionais: ao mesmo tempo em que atrapalha os planos do empresário, reflete a dificuldade de permuta entre os dois partidos. Há quase um mês, a direção nacional do PT tenta convencer diretórios municipais a apoiar candidatos do PSB. O objetivo é que a legenda, em contrapartida, apoie o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, em São Paulo. Não está sendo fácil. Depois de Campinas (SP), João Pessoa (PB) e Mossoró (RN), Cuiabá é mais uma cidade que se recusa a fazer parte da barganha como moeda de troca. Todos os 185 delegados do partido votaram a favor da tese de candidatura própria no encontro de tática realizado no domingo. É uma decisão que afasta o PT do raio de ação de Mauro Mendes. O empresário, no entanto, minimiza mais uma vez o potencial parceiro. “O apoio do PT seria bem-vindo, é um bom partido, tem tempo de TV, mas estamos com quase 50% de preferência”, afirma. Além de estar na liderança das pesquisas – fruto do recall das eleições que perdeu para prefeito, em 2008, e governador, em 2010 – Mauro Mendes conta com uma situação financeira invejável. É dono da empresa Bimetal, líder nacional no segmento de torres para telecomunicações, cujo faturamento é cerca de R$ 200 milhões. Na disputa ao governo do Estado, Mendes foi o maior doador para sua campanha. De uma receita total de R$ 13,8 milhões, contribuiu pessoalmente com R$ 9,57 milhões (69,3%), além de R$ 297 mil (2%) pela Bimetal. Não é algo que pretenda repetir, afirma, quando responde ao comentário de que dinheiro não é seu problema. “Não tenho responsabilidade de construir a candidatura sozinho. Todo mundo pode contribuir, com o seu tempo ou de outra maneira”, diz. Em 2010, somadas as doações do grupo Vanguarda (R$ 2,27 milhões), cujo principal acionista, Otaviano Pivetta (PDT), era o vice de Mendes, os dois integrantes da chapa bancaram 88% da campanha. Mendes é uma das esperanças do PSB para alcançar um patamar de conquistas igual ou superior ao do PMDB nas capitais. A expectativa é algo em torno de cinco ou seis vitórias num total de 26. Em 2008, com três eleitos, o PSB ficou atrás do PT e PMDB, que elegeram seis, e do PSDB, bem-sucedido em quatro. Apesar do cenário pré-eleitoral muito fragmentado, com quase dez pré-candidatos, o empresário desponta com 49% das intenções de voto, de acordo com levantamento do instituto Mark feito nos dias 31 de março e 1º de abril. O também empresário Dorileo Leal (PMDB), apoiado pelo correligionário e governador Silval Barbosa, surge com 11%, tecnicamente empatado com o vereador do PT, Lúdio Cabral, que tem 10%. “O PT caminha de forma muito determinada para a candidatura própria. O processo está muito avançado”, afirma o secretário-geral do PT no Estado, o deputado estadual Alexandre César, que esteve em São Paulo há duas semanas para tratar do assunto com o comando nacional. O petista afirma que conversas com Mauro Mendes ocorreram em janeiro mas não prosperaram. E diz ter recebido a compreensão da direção nacional, já que a candidatura própria é vista como necessária à rearticulação do partido no Estado. “O pleito do PSB é legítimo. Eles podem levar isso à [direção do PT] nacional, mas não há ambiente”, diz o secretário-geral. César aponta como outro obstáculo a indefinição de Mendes, que ainda não assumiu sua candidatura e cogita se lançar novamente ao governo do Estado, em 2014. “O PT tem história e um calendário. Não podemos esperar a decisão de alguém. Já estivemos com o Mauro, quando ele era do PR”, defende o petista, referindo-se à campanha para a prefeitura da capital em 2008, quando o hoje pessebista perdeu para o tucano Wilson Santos. De fato, Mauro Mendes continua a fazer mistério. “Ainda não me posicionei. O cálculo eleitoral é complexo porque já participei de duas eleições e conheço o mundo e o submundo do que é a política. Há uma série de variáveis, familiar, empresarial e dos apoiadores”, diz. Nos bastidores, consta que Mendes é incentivado pelo ex-governador e atual senador Blairo Maggi, do PR, seu ex-partido, para se preservar e aguardar a eleição de 2014 ao governo do Estado. O plano de Maggi seria quebrar a aliança entre PSB, PDT, PV e PPS, que tem no senador pedetista Pedro Taques um pré-candidato para a disputa. Maggi foi um dos fiadores da eleição de Silval Barbosa, mas estaria insatisfeito com o espaço que lhe é dado pelo governador. Caso Mauro Mendes não concorra, a corrida municipal em Cuiabá pode se tornar bastante aberta. Isso porque o prefeito Chico Galindo (PTB) tem direito à reeleição mas está com uma altíssima taxa de rejeição (58,9%) e pode até não disputar. Galindo era vice e assumiu o cargo, em 2010, quando Wilson Santos saiu para tentar ser governador. Neste clima de incerteza, quase todos os principais partidos estão às voltas com pré-candidatos: além de PSB, PMDB, PT e PTB, há ainda nomes do PR, PDT, PSDB, DEM (com PP e PPS) e PSD.

“O apoio do PT é importante, mas não é imprescindível”. É assim, com uma indiferença mal-disfarçada de insatisfação, que o empresário Mauro Mendes (PSB), maior financiador de sua campanha a governador de Mato Grosso em 2010, reage à determinação dos petistas em Cuiabá de lançarem candidatura própria à prefeitura da capital do Estado.

A decisão do PT local, tomada por unanimidade em encontro anteontem, tem tanto efeitos regionais quanto nacionais: ao mesmo tempo em que atrapalha os planos do empresário, reflete a dificuldade de permuta entre os dois partidos.

Há quase um mês, a direção nacional do PT tenta convencer diretórios municipais a apoiar candidatos do PSB. O objetivo é que a legenda, em contrapartida, apoie o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, em São Paulo.

Não está sendo fácil. Depois de Campinas (SP), João Pessoa (PB) e Mossoró (RN), Cuiabá é mais uma cidade que se recusa a fazer parte da barganha como moeda de troca.

Todos os 185 delegados do partido votaram a favor da tese de candidatura própria no encontro de tática realizado no domingo. É uma decisão que afasta o PT do raio de ação de Mauro Mendes. O empresário, no entanto, minimiza mais uma vez o potencial parceiro.

“O apoio do PT seria bem-vindo, é um bom partido, tem tempo de TV, mas estamos com quase 50% de preferência”, afirma.

Além de estar na liderança das pesquisas – fruto do recall das eleições que perdeu para prefeito, em 2008, e governador, em 2010 – Mauro Mendes conta com uma situação financeira invejável.

É dono da empresa Bimetal, líder nacional no segmento de torres para telecomunicações, cujo faturamento é cerca de R$ 200 milhões. Na disputa ao governo do Estado, Mendes foi o maior doador para sua campanha. De uma receita total de R$ 13,8 milhões, contribuiu pessoalmente com R$ 9,57 milhões (69,3%), além de R$ 297 mil (2%) pela Bimetal.

Não é algo que pretenda repetir, afirma, quando responde ao comentário de que dinheiro não é seu problema. “Não tenho responsabilidade de construir a candidatura sozinho. Todo mundo pode contribuir, com o seu tempo ou de outra maneira”, diz.

Em 2010, somadas as doações do grupo Vanguarda (R$ 2,27 milhões), cujo principal acionista, Otaviano Pivetta (PDT), era o vice de Mendes, os dois integrantes da chapa bancaram 88% da campanha.

Mendes é uma das esperanças do PSB para alcançar um patamar de conquistas igual ou superior ao do PMDB nas capitais. A expectativa é algo em torno de cinco ou seis vitórias num total de 26. Em 2008, com três eleitos, o PSB ficou atrás do PT e PMDB, que elegeram seis, e do PSDB, bem-sucedido em quatro.

Apesar do cenário pré-eleitoral muito fragmentado, com quase dez pré-candidatos, o empresário desponta com 49% das intenções de voto, de acordo com levantamento do instituto Mark feito nos dias 31 de março e 1º de abril.

O também empresário Dorileo Leal (PMDB), apoiado pelo correligionário e governador Silval Barbosa, surge com 11%, tecnicamente empatado com o vereador do PT, Lúdio Cabral, que tem 10%.

“O PT caminha de forma muito determinada para a candidatura própria. O processo está muito avançado”, afirma o secretário-geral do PT no Estado, o deputado estadual Alexandre César, que esteve em São Paulo há duas semanas para tratar do assunto com o comando nacional.

O petista afirma que conversas com Mauro Mendes ocorreram em janeiro mas não prosperaram. E diz ter recebido a compreensão da direção nacional, já que a candidatura própria é vista como necessária à rearticulação do partido no Estado.

“O pleito do PSB é legítimo. Eles podem levar isso à [direção do PT] nacional, mas não há ambiente”, diz o secretário-geral.

César aponta como outro obstáculo a indefinição de Mendes, que ainda não assumiu sua candidatura e cogita se lançar novamente ao governo do Estado, em 2014. “O PT tem história e um calendário. Não podemos esperar a decisão de alguém. Já estivemos com o Mauro, quando ele era do PR”, defende o petista, referindo-se à campanha para a prefeitura da capital em 2008, quando o hoje pessebista perdeu para o tucano Wilson Santos.

De fato, Mauro Mendes continua a fazer mistério. “Ainda não me posicionei. O cálculo eleitoral é complexo porque já participei de duas eleições e conheço o mundo e o submundo do que é a política. Há uma série de variáveis, familiar, empresarial e dos apoiadores”, diz.

Nos bastidores, consta que Mendes é incentivado pelo ex-governador e atual senador Blairo Maggi, do PR, seu ex-partido, para se preservar e aguardar a eleição de 2014 ao governo do Estado. O plano de Maggi seria quebrar a aliança entre PSB, PDT, PV e PPS, que tem no senador pedetista Pedro Taques um pré-candidato para a disputa. Maggi foi um dos fiadores da eleição de Silval Barbosa, mas estaria insatisfeito com o espaço que lhe é dado pelo governador.

Caso Mauro Mendes não concorra, a corrida municipal em Cuiabá pode se tornar bastante aberta. Isso porque o prefeito Chico Galindo (PTB) tem direito à reeleição mas está com uma altíssima taxa de rejeição (58,9%) e pode até não disputar. Galindo era vice e assumiu o cargo, em 2010, quando Wilson Santos saiu para tentar ser governador.

Neste clima de incerteza, quase todos os principais partidos estão às voltas com pré-candidatos: além de PSB, PMDB, PT e PTB, há ainda nomes do PR, PDT, PSDB, DEM (com PP e PPS) e PSD.

Por: Cristian Klein
Fonte: Valor Econômico

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