“Coiotes” conduzem mais haitianos até a fronteira Brasil-Peru

Conduzido por agentes de rede de tráfico de pessoas, mais conhecidos como coiotes, um novo grupo de 60 imigrantes haitianos se formou nas últimas duas semanas na peruana Iñapari, na fronteira com Assis Brasil (AC), de acordo com relatos de ativistas de direitos humanos da região.

Outro grupo, de 56 haitianos, conseguiu furar uma barreira mantida pela Polícia Federal em Assis Brasil e ingressou em território brasileiro. Os haitianos foram identificados e notificados pela PF a deixarem o País.

– Esses imigrantes são haitianos que viviam em Cuba, Panamá, República Dominicana, Colômbia, e Equador. É diferente do primeiro grupo, cuja entrada foi autorizada porque de fato partiu do Haiti com destino ao Brasil. Apesar de irregulares, estamos dando assistência humanitária integral, o que inclui alimentação e hospedagem – disse o secretário estadual Nilson Mourão, de Justiça e Direitos Humanos.

Segundo o secretário, mais de dois mil haitianos que conseguiram trabalho no Brasil no último ano começaram a fazer remesssa de dinheiro para seus familiares no Haiti.

– Quem conseguiu se estabelecer com trabalho está avisando aos parentes espalhados por vários países que a situação aqui é muito boa. Agora cabe ao Ministério da Justiça decidir o que fazer com os 56 haitianos que estão no município de Brasiléia – acrescentou Nilson Mourão.

Segundo relato do padre René Salízar, principal ativista de direitos humanos em Iñapari, existe uma “máfia” que está operando na fronteira de Águas Verdes (Peru) com Guaquillas (Equador).

– Os haitianos me disseram que estão pagando entre US$ 200 e US$ 250 pelo carimbo de imigração para entrar no Peru. No Equador atua um haitiano e do lado do Peru um peruano. Os haitianos não comparecem fisicamente ao escritório de imigração. Pedem os passaportes e os entregam já carimbado – afirma Salízar.

Segundo o pároco de Iñapari, o curioso é que todos os passaportes trazem no carimbo a data de 12 de janeiro, com permissão para 180 dias. O dia 12 de janeiro foi quando o governo brasileiro decidiu pela emissão limitada de vistos de trabalho para haitianos e determinou reforço policial para impedi-los os haitianos de ingressarem a partir das fronteiras com a Bolívia, Colômbia e Peru.

– Estão dizendo que o ingresso no Brasil está liberado. Talvez, de maneira organizada, podemos fazer algo para que não continue chegando mais haitianos com esperança de ingressar no Brasil. Penso que devemos convocar uma reunião de direitos humanos. Eu não conto nem com um centavo para organizar o encontro. Talvez poderiam organizar do lado brasileiro – sugere René Salízar aos seus parceiros no Brasil.

O padre é uma das únicas pessoas que ainda se mantém preocupada com a situação dos haitianos em território peruano. Ele disse que os imigrantes haitianos já começam a passar fome. Sem dinheiro para pagar hotel, estão abrigados na igreja católica de Iñapari, que sequer dispõe de banheiros adequados e colchões suficientes.

– Na minha avaliação, a situação é muito preocupante porque está evidente que existem coiotes atuando na fronteira do Equador com o Peru, cobrando caro e mentindo para os haitianos quando dizem que a entrada no Brasil está liberada – disse por telefone ao Blog da Amazônia o pesquisador Foster Brown, da Universidade Federal do Acre, que está em Ibéria, no Peru.

Por: Altino Machado
Fonte: Blog da Amazônia / Terra Magazine 

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Um comentário em ““Coiotes” conduzem mais haitianos até a fronteira Brasil-Peru

  • 15 de maio de 2012 em 20:37
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    Tem que DEPORTAR IMEDIATAMENTE todos!!! Chega dessa bagunça no Brasil! Quero meu país de volta!! Parem de votar em VERMELHOS, que esse país volta ao normal!!!

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