Bancos privados e CEF vão financiar Belo Monte

A Norte Energia, que reúne o consórcio da Usina de Belo Monte, negocia com bancos privados e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o empréstimo de até 80% dos investimentos financiáveis do projeto orçado em R$ 26,5 bilhões. “Em 30 dias teremos os detalhes e as condições desse financiamento”, disse o presidente do consórcio, Carlos Nascimento a jornalistas, após participar do HydroPower Summit Latin America BN Americas, em São Paulo. “Temos bancos privados nos procurando e que estão participando das negociações com o BNDES”.

O executivo disse que os bancos privados e a Caixa Econômica Federal estão querendo participar da fatia de recursos do projeto que será disponibilizada por financiamentos de longo prazo. “Não estou falando de repassadores, mas de bancos que vão entrar com os empréstimos de longo prazo”, disse Nascimento.

Orçado inicialmente pelo governo em R$ 19,5 bilhões, a construção da Usina Belo Monte, no Rio Xingu, foi orçada pelos acionistas controladores em R$ 26,5 bilhões – valor que deve ser corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA). Desse montante, até 80% dos ativos financiáveis podem ser bancados por empréstimos, limite proposto por fazer o projeto do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

O executivo que representa o consórcio disse que os financiamentos devem ser desembolsados entre o fim de agosto e a primeira quinzena de setembro. “Se houver atrasos, os acionistas vão bancar os gastos pelo período até que o dinheiro seja desembolsado”, disse Nascimento. “Os acionistas são “triplo A” [nota máxima de crédito em agências de avaliação de risco], ninguém duvida da capacidade desses agentes.”

No mesmo evento, em momento diferente, a chefe do departamento de energia elétrica da área de infraestrutura do BNDES, Márcia Leal, disse que as condições do empréstimo ao projeto da Usina de Belo Monte estão sendo analisadas. Mas admitiu que a aprovação deve ocorrer ainda neste semestre: “É possível”, disse ela a jornalistas.

A executiva afirmou que os atrasos nas obras provocados ou por demora na liberação de licenças ambientais ou por greves de trabalhadores não estão sendo obstáculos na avaliação dos empréstimos. “Isso não afeta a capacidade de pagamento das empresas, mas as margens.”

Outros dois temas debatidos no evento foram a definição sobre as concessões que começam a vencer a partir de 2015 e a revisão tarifária. O diretor-geral da Aneel, Nelson Hübner, espera que o governo defina ainda neste semestre o futuro das concessões. “Espero uma definição até o fim do mês que vem. (A questão) está com o Ministério (de Minas e Energia)”, disse. Ele explicou que parte da solução pode ser enviada ao Congresso por meio de Medida Provisória.

Hübner rebateu críticas feitas por distribuidoras de energia, como a AES Eletropaulo, de que o processo de revisão tarifária implementado no país é “dura”. “Somos até suaves”, disse.

Por: João José Oliveira e Guilherme Dias
Fonte: Valor Econômico

Deixe um comentário