Governo do Acre contrata empresa suspeita de ligação com Cachoeira

O governo do Acre assinou durante a semana um contrato de R$ 12,2 milhões com a JM Terraplanagem e Construções Ltda para urbanização de dois bairros de Rio Branco (AC). A construtora, que atua nas regiões centro-oeste e norte do País, é uma das empresas suspeitas de ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

O termo de homologação do contrato com a JM, assinado na segunda-feira (23) pelo Secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, Wolvenar Camargo Filho, foi publicado na edição de quarta (25) do Diário Oficial do Acre.

A JM é de Brasilia e pertence a José Maria de Oliveira, que é da mesma família dona da Construmil, empreiteira que, em feveriro, entrou em “processo de recuperação judicial” e aplicou calote no Acre contra fornecedores em decorrência da execução de obras num trecho da BR-364.

A JM doou R$ 500 mil, em outubro de 2010, para o Comitê Financeiro Único do PSDB no Tocantins. A doação foi citada numa conversa interceptada pela Polícia Federal entre Cachoeira e o ex-diretor da Delta, Cláudio Abreu. A construtora recebeu R$ 75 milhões da União em 2011.

No Acre, além de obras de urbanização, a empreiteira mantém contratos que envolvem recursos do PAC para obras na BR-364, que liga a capital Rio Branco a Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste do Estado.

Em agosto e setembro de 2006, a JM doou R$ 160 mil para a campanha do então candidato a governador Binho Marques (PT).

A empreiteira também fez, em agosto e setembro de 2010, duas transferências eletrônicas para a campanha do então candidato a senador Jorge Viana (PT-AC). As transferências totalizam R$ 30 mil.

A construtora também fez, em agosto e setembro daquele ano, duas transferências de R$ 20 mil para a comitê de campanha do então candidato a governador Tião Viana (PT).

A Delta, investigada pela Polícia Federal como suposta parceira do grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em maio do ano passado foi contratada pelo governo de Tião Viana (PT) por R$ 1,3 milhão para executar serviços de conservação, manutenção e recuperação de rodovias estaduais e federais no Estado.

Calamidade

O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim (PT), assinou decreto em que prorroga por mais dois meses estado de calamidade pública em 37 bairros e 22 comunidades da cidade, as áreas mais afetadas pela enchente do Rio Acre e seus afluentes, entre janeiro e março.

Angelim considera que o estado de calamidade não cessou, tendo em vista os enormes prejuízos sofridos pela população, tanto materiais, quanto pessoais, não tendo sido satisfatoriamente resolvidos e equacionados todos os principais problemas resultantes da enchente.

Por: Altino Machado
Fonte: Blog da Amazônia / Terra Magazine 

Deixe um comentário