Ato público protesta contra empresas que provocam impactos ambientais e violações de direitos humanos

Cerca de 2 mil pessoas participaram, no início da noite de ontem (19), de uma manifestação contra grandes empresas instaladas no país responsáveis por impactos ambientais e violações de direitos humanos. O ato contou com a presença de representantes de movimentos sociais, sindicatos e moradores de comunidades impactadas por empreendimentos industriais, que estão no Rio participando da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

A passeata, que foi em direção ao Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio, teve como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre a responsabilidade das empresas quanto às condições de vida da população que mora em áreas prejudicadas com impactos ambientais, após suas instalações.

Os manifestantes criticaram também a atuação dos bancos privados e das instituições financeiras, como o Banco Mundial e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), que, segundo eles, na maioria das vezes, financiam grandes empreendimentos violadores de direitos. Os manifestantes acreditam que, na Rio+20, esses grupos vão apresentar “falsas soluções” para os problemas ambientais.

“Se o povo não se mobiliza, o governo não age. Eu resolvi participar para poder chamar a atenção dos governantes quanto às empresas que têm poluído e devastado o meio ambiente”, disse o colombiano Oscar Rodrigues, 30 anos, que atualmente mora no Rio de Janeiro e faz parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Os participantes lembraram ainda o vazamento de petróleo da empresa Chevron, na Bacia de Campos, no norte fluminense, e criticaram a postura do governo do Rio quanto às denúncias de favorecimento da empreiteira Delta em licitações de obras públicas no estado. Eles mostraram seu descontentamento com faixas e cartazes, além de máscaras faciais com nomes de empresas que exploram recursos naturais como a Vale e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA).

Eles alegaram que ocorrem graves casos de crimes ambientais e violações de direitos a partir da apropriação indevida de terras, remoção de comunidades, além de contaminação do ar e da água, causando impactos na saúde das pessoas.

A integrante da Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen) Laila Rocha, de 27 anos, ressalta que é preciso tomar medidas emergenciais e levar a sério os problemas ambientais. “Enquanto nós não tivermos solidariedade entre os povos, entre as culturas, entre as nossas comunidades, a gente não vai conseguir nunca alcançar uma economia sustentável, a paz e a união entre os povos. Porque a água está acabando, a comida está acabando e, aí, como vamos sobreviver no planeta?”.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Lana Cristina

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