Imprensa da Europa fala em decepção

A imprensa europeia reagiu com decepção ao acordo minimalista da Rio+20, embora já alertasse para um “fiasco anunciado”.

O jornal “Le Soir”, de Bruxelas, fala de “acordo julgado fraco e pouco ambicioso pelos europeus”. O influente jornal “Le Monde”, de Paris, procura uma explicação e considera que “a crise pesou sobre esta conferência decepcionante”.

O “El País”, de Madri, acha que saiu o acordo “possível”. Já o jornal francês conservador “Le Figaro” sinaliza um eventual culpado, em título: “Brasil, líder sem influência”.

Na Alemanha, o “Bild”, o jornal mais popular do país, repete a “decepção” e “fortes críticas” por parte de ambientalistas. O jornal de economia “Handelsblatt” vê uma luta entre “resultado fraco e grandes objetivos”. Para o “Sueddeustche Zeitung”, o resultado da Rio+20 é “uma derrota para o ambiente”. O “Frankfurter Allgemeine Zeitung” preferiu publicar uma página sobre “ameaça” à Amazônia.

Na Itália, o respeitado “Corriere della Sera”, de Milão, resume o texto final da conferência como “débil, pouco corajoso e inútil”. Para o “La Repubblica”, de Roma, somente o ministro italiano Corrado Clini se mostrou satisfeito: “Há muitos pontos interessantes”, diz ele.

No Reino Unido, os jornais também repetem as críticas de ambientalistas. O “The Guardian” abriu um blog direto da Rio+20, e destaca uma entrevista do professor dinamarquês Bjorn Lomborg, autor de “Sceptical Environnmentalist”. Para ele, um fiasco da Rio+20 pode até ser uma boa coisa. Ele acusa a ONU de ter privilegiado “questões da moda”, como aquecimento climático e economia verde, quando temas ambientais mais banais seriam muito mais importantes. Exemplifica que, para cada pessoa morta por causa do aquecimento do planeta, outros 210 morrem por causa de poluição do ar ou da água.

Por Assis Moreira
Fonte:Valor Econômico

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