Linha branca pode voltar a contratar em Manaus

A possibilidade de comprar um micro-ondas por menos de R$ 200 e um aparelho de ar condicionado por um preço inferior a R$ 500 ficará mais restrita a partir de 1º de setembro. Com a nova tributação sobre esses eletrodomésticos que passa a vigorar em 90 dias, o governo atende o pleito dos fabricantes nacionais que se incomodavam com a invasão de produtos chineses nas lojas, bem mais baratos que a média.

Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), foram fabricados 3 milhões de micro-ondas no Brasil em 2009, enquanto os importados somaram 700 mil unidades. No ano passado, foram 4,3 milhões de aparelhos produzidos localmente, enquanto 1,5 milhão vieram de fora. Já em relação aos aparelhos de ar condicionado modelo split, a fabricação nacional era de 700 mil unidades em 2009 e evoluiu para 1,6 milhão no ano passado. Por outro lado, os itens importados, que somavam 600 mil unidades em 2009, atingiram 1,9 milhão em 2011.

“Agora a indústria nacional ficou mais competitiva”, diz Lourival Kiçula, presidente da Eletros. “Houve muitas demissões em Manaus por conta da concorrência com os importados, mas agora esse quadro deve se reverter”, diz.

Essa é a promessa da Whirlpool. Segundo Armando do Valle Jr., vice-presidente de relações institucionais e sustentabilidade da empresa, os 200 trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho temporariamente suspensos por até cinco meses em Manaus, não devem voltar ao batente de imediato, mas a medida aponta “para uma retomada do mercado” ao colocar em “igualdade a produção nacional com importada”. “O IPI para ar-condicionado modelo split deveria ter sido reajustado antes”, diz Valle Jr.

Segundo apurou o Valor, entre os maiores importadores de micro-ondas e ar condicionado estão a Britania, dona da marca Philco, a Fujitsu e grandes redes de varejo, como Walmart e Carrefour, que oferecem marca própria. Os produtos custam em média 25% menos que os nacionais.

Para a Eletros, a medida pode incentivar importadores a partir para a produção nacional. É o caso da Komeco, com sede em Palhoça (SC). “Vamos começar a produção de ar condicionado na Zona Franca de Manaus em 4 de junho”, garante o presidente da Komeco, Denisson Moura de Freitas. Segundo o empresário, os primeiros produtos nacionais da marca estarão no varejo a partir da segunda quinzena de julho.

A empresa está investindo R$ 30 milhões na nova unidade, com capacidade de fabricar 40 mil aparelhos por mês, e já pensa em ampliar a linha em janeiro, com injeção de mais R$ 15 milhões. Os recursos são próprios e de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Enquanto isso, temos estoque de produto importado para 45 dias”, diz Freitas.

Já a Samsung aposta que a nova tributação deve aumentar as vendas dos produtos nacionais. “É preciso proteger a indústria nacional contra ações predatórias. Quem comprar ar-condicionado produzido aqui, não vai pagar IPI”, afirma Benjamim Sicsú, vice-presidente de novos negócios da Samsung. Segundo ele, o governo federal já tentou proteger os fabricantes ao aumentar o imposto de importação no ano passado, mas não foi o suficiente para barrar os chineses.

Por: Daniele Madureira e Letícia Casado
Fonte: Valor Econômico

Deixe um comentário

Um comentário em “Linha branca pode voltar a contratar em Manaus

  • 13 de dezembro de 2012 em 19:18
    Permalink

    parabéns pele implantação em manaus.trabalho como soldador e auxiliar de refrigeração.sucesso e emprego pra todos

Fechado para comentários.