Para ONGs e ambientalistas, acordo é fraco e não reflete urgência de ação

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, criticou o texto final da Rio+20, que classificou como “fraco”

“Um documento fraco e que não reflete a urgência que o planeta está a reclamar dos líderes políticos.” Assim a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência, Marina Silva, definiu o texto final da Rio+20.

Celebrado como uma vitória da capacidade de negociação brasileira pelos diplomatas brasileiros na tarde de ontem, o documento O Futuro que Queremos não é visto por ativistas e organizações ambientalistas com a mesma sensação de dever cumprido. Para eles, não apresentar retrocessos não é o suficiente.

O documento que será apresentado aos chefes de Estado hoje é uma declaração de objetivos genéricos para o desenvolvimento sustentável, fruto da falta de compromisso dos países com o meio ambiente, afirma Marina. “Os pontos de tensão entre os países foram retirados para se chegar a um documento completamente inerte”, disse no fim da tarde de ontem.

A ambientalista critica a postura brasileira durante as negociações e afirma que o Brasil trabalhou por um documento anêmico. Na sua visão, o governo brasileiro não quis liderar o processo de avanço e acabou patrocinando o retrocesso global, enquanto os países desenvolvidos priorizaram a crise econômica. Desesperançosa, Marina acredita que o que for aprovado na Rio+20 não será efetivado.

A decepção é compartilhada por ativistas, que fazem coro com a ex-ministra do Meio Ambiente. Em entrevista ao Valor, o coordenador do programa de clima da WWF Brasil, Carlos Rittl define o desapontamento: “Esse não era exatamente o futuro que queremos”. A WWF vê o documento como uma nova agenda de negociações, não como a definição de resultados concretos.

A celebração por não haver perdas, comemorada ontem por diplomatas brasileiros, não é suficiente para os ambientalistas. “Não ter havido retrocesso não é de longe o que a gente pode definir como sucesso”, disse Ritll, em crítica à afirmação do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, de que a outra opção seria não haver acordo. Para ele, a reafirmação das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, não seria necessária se alguns países não quisessem voltar atrás.

A WWF espera que os chefes de Estado possam avançar mais até o fim da conferência, na sexta-feira, definindo, por exemplo, temas prioritários para as metas do desenvolvimento sustentável. “Ninguém espera que eles venham aqui para fazer discursos, como sugeriu a delegação brasileira”, disse Rittl.

Já o Greenpeace tem ainda menos esperanças. Para a organização, a Rio+20 se transformou em um fracasso épico e falhou em conquistar avanços nos três pilares do desenvolvimento sustentável, ambiental, social e econômico. A ambientalista e feminista indiana Vandana Shiva concorda com essa visão. Para ela, o texto aprovado como irresponsável. “É basicamente um documento para os governos não fazerem nada”, definiu.

Por: Guilherme Serodio
Fonte: Valor Econômico

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