Participantes da Cúpula dos Povos voltam para casa levando experiências na bagagem

Os milhares de brasileiros e estrangeiros que vieram para a Cúpula dos Povos começaram a voltar para suas casas ontem (22), depois de passar uma semana discutindo e debatendo temas ligados à sustentabilidade. Para o agricultor da Giné-Bissau Alanso Faty, presidente da Plataforma Nacional Camponesa e representante de uma rede de organizações agrícolas de 13 países do Oeste africano, a experiência foi inigualável.

“Valeu a pena ter vindo à Cúpula dos Povos. Esse encontro vai dar frutos positivos para o Rio, o Brasil e o mundo. A mensagem da África para a cúpula foi a necessidade de haver compreensão, unidade e igualdade. O ser humano tem direito à água, a comer e à escola”, disse Faty, que integra a Via Campesina.

No Sambódromo, que durante sete dias foi residência para cerca de 8 mil pessoas, os participantes da cúpula terminavam de arrumar a bagagem para embarcar nos ônibus de volta para casa. O reciclador Edson de Jesus se preparava para enfrentar 28 horas de viagem para Salvador. Apesar do cansaço e das acomodações precárias, ele disse que estava satisfeito.

“Foi muito boa a integração. Interagi com povos e costumes diferentes. Apresentamos nossa experiência de economia solidária e tivemos uma participação ativa. A economia solidária significa um ajudando o outro, com ajuda humanitária e troca de serviços”, explicou Edson, que vive com uma renda de R$ 400 a R$ 450 por mês catando materiais recicláveis.

A estudante de Ciências Sociais Maria de Lourdes Fernandes Silva, ligada ao Movimento Camponês Popular (MCP), aprovou a oportunidade de ter debatido com diversos movimentos sociais, o que permitiu ver que tinham mais semelhanças do que diferenças. “Só quem esteve aqui vivenciando esses dias todos sabe o que significou. A união de todos os movimentos sociais foi muito interessante. O Brasil só vai resolver nossos problemas com a participação de todos. Não são só os poderosos que vão encaminhar nossas vidas. Todos devemos lutar por um futuro comum”, disse Maria de Lourdes, que veio de Catalão, Goiás.

A universitária de jornalismo Marina Muniz Mendes, também do MCP, disse que voltava para Goiânia com uma bagagem de experiências maior do que quando chegou ao Rio. “Tivemos dificuldades com alojamentos, banheiros e deslocamento. Mas se estamos aqui junto com 8 mil pessoas é porque estão todos acreditando em alguma coisa. Participar disso, apesar do cansaço e de todos os problemas, é muito importante, porque nos dá mais força para continuar nossa luta. A gente sabe que não está sozinho, que tem outras pessoas participando e querendo mudar as coisas”, disse Marina.

Por: Vladimir Platonow
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Lana Cristina

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