Rejeição e luta interna forçam decisão

O caso de Micarla de Sousa, em Natal, acentua o peso da gestão e da necessidade de um clima propício no eleitorado – o que também não ocorreu em Cuiabá – e difere das situações de João Pessoa e Recife, onde o fator mais preponderante foi a falta de controle do partido.

Em Cuiabá, o prefeito Chico Galindo (PTB) bem que tentou reverter a baixa popularidade. Criou um programa chamado Poeira Zero, para pavimentar ruas de 50 bairros, mudou a planta para a cobrança de IPTU e privatizou a companhia de água.

Mas não conseguiu pôr fim ao descrédito da população com a administração iniciada pelo tucano Wilson Santos, de quem era vice. Em 2010, Santos saiu da prefeitura para disputar e perder o governo do Estado e não cumpriu o rol de promessas com o qual convenceu a população a elegê-lo.

“O Wilson Santos é muito bom orador, empolgou o eleitorado, mas a distância entre as propostas e a realidade levou a uma grande frustração da população”, afirma o deputado federal Eliene Lima, presidente do diretório municipal do PSD de Cuiabá.

Mesmo com a enorme desaprovação ao governo de Galindo, que supera os 80% de acordo com a última pesquisa, o PSD disputava com o PSDB o apoio do prefeito a seu candidato, o ex-deputado estadual Carlos Brito. Galindo, no entanto, preferiu se manter independente – supostamente para não ser responsabilizado pela derrota do nome que viesse a apoiar.

A curta história política de Galindo também é apontada por Lima como um obstáculo que o prejudicou. Ao ser chamado para compor a chapa de Santos, o petebista havia pouco – dois anos antes, em 2006 – entrado na Assembleia Legislativa com a menor votação entre os 24 deputados estaduais eleitos.

Em vez da má avaliação de governo, a falta de apoio interno foi a principal razão para a saída dos prefeitos das capitais da Paraíba e de Pernambuco da corrida municipal. Em João Pessoa, Luciano Agra havia desistido de concorrer à reeleição, o que manifestou em carta aberta divulgada em janeiro, na qual dizia não estar disposto a participar do “jogo bruto” da política. De origem acadêmica e com perfil técnico, Agra, no entanto, mudou de ideia e tentou retomar o projeto de renovar o mandato. Enviou uma carta ao presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mas não teve tratamento especial e foi obrigado a disputar a prévia e perdeu para sua ex-secretária de Planejamento, Estelizabel Bezerra. Inconformado, Agra largou o partido.

No Recife, a luta interna no PT foi ainda mais traumática. O prefeito João da Costa teve o direito de se reeleger barrado pela cúpula nacional do partido, depois de disputar uma prévia marcada pelo confronto entre militantes e uma guerra de liminares na Justiça. O PT impôs um terceiro nome como candidato, o senador Humberto Costa, que se aliou ao grupo do ex-prefeito e hoje deputado federal João Paulo, que foi padrinho de João da Costa, em 2008, mas virou seu desafeto.

Fonte: Valor Econômico

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