Ação do Incra é criticada por movimentos sociais

Movimentos sociais criticaram a postura do Incra em ter reduzido, nos últimos anos, o assentamento de famílias por meio da reforma agrária. De acordo com representantes de movimentos, a alta na qualidade de vida nos acampamentos, principal bandeira atual da autarquia, é obrigação do Estado, e não o principal objetivo. Segundo eles, nos últimos anos no Brasil houve concentração de terras, não divisão.

A grande maioria dos representantes de movimentos disse, em entrevista ao Valor, que preferiria uma alta no número de assentados ao invés de melhorias nos acampamentos já estabelecidos. Além disso, eles defendem que o governo defina metas de assentamento todos os anos.

“Os movimentos querem metas de desapropriação. Temos que saber quantas pessoas serão assentadas todos os anos. O governo não pode simplesmente dizer que vai investir em estrutura e esquecer que existem 150 mil famílias morando embaixo de lonas no país. É importante ter estrutura para quem já foi assentado, mas não podemos abrir mão de assentar”, disse o coordenador do núcleo Agrário do PT, deputado Valmir Assunção (BA).

“O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, já tinha dado indicações que o governo manteria seus padrões de assentamentos, que são baixíssimos. No ano passado tivemos o pior índice em 16 anos e nesse ano deve ser pior ainda. Nessa hora o governo erra. Quem é que precisa mais do apoio do governo? Quem tem um emprego ou quem está sem o emprego? Quem está sem terra ou com terra?”, questiona Assunção.

O secretário de Política Agrária da Contag, Willian Clementino, afirma que a função do Incra é “fazer ordenamento fundiário no país” e não política agrícola. “A melhoria dos acampamentos é um déficit que o Estado possui com os trabalhadores. O Incra está dizendo que vai fazer o que deixou de fazer historicamente. Porém, dessa forma não se efetiva a reforma agrária, que vai da obtenção de terra ao desenvolvimento das famílias. Habitação, eletrificação, assistência técnica, educação. Tudo isso é obrigação, mas o governo não pode escolher uma política em detrimento da outra continuando sua dívida com a sociedade”, diz ele.

Por: Tarso Veloso
Fonte: Valor Econômico

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