As projeções e os gargalos de uma nova safra recorde

Ainda que as primeiras projeções apontem para novos recordes de área plantada e produção de soja em Mato Grosso nesta safra 2012/13, cuja semeadura teve início nos últimos dias, os produtores do Estado mostram-se cada vez mais preocupados com a possibilidade de que a proliferação do fungo da ferrugem asiática prejudique significativamente os lucros previstos em algumas regiões.

Wanderlei Dias Guerra, coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura em Mato Grosso, começou a chamar a atenção para o problema há mais de um mês. Segundo ele, a situação é grave e as perdas com a doença, caso os agricultores não a combatam com seriedade, poderão superar as de 2011/12, calculadas em cerca de R$ 1 bilhão. A ferrugem foi identificada pela primeira vez no país no ciclo 2001/02, no Paraná, e de lá para cá causou prejuízos estimados em mais de R$ 10 bilhões.

Mas esse “fantasma” não atrapalhou a cerimônia que marcou o lançamento “oficial” da semeadura do grão no país – findo o período de vazio sanitário, adotado justamente para coibir o avanço de doenças, o plantio está liberado desde o dia 15 -, realizado ontem em Sorriso, na região central de Mato Grosso. Segundo o ministério, o município, que tem 75 mil habitantes e cujo PIB gira em torno de R$ 2,5 bilhões, é considerado “a capital nacional do agronegócio”.

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, participo do evento, bem como o governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB), entre outros políticos. Em meio a homenagens a agricultores e a um evento em uma fazenda da região com cara de feira agropecuária, Mendes, apesar de cansado, animou-se e previu que na próxima temporada, a 2013/14, a produção brasileira de grãos deverá superar a marca de 200 milhões de toneladas. Seria um feito, uma vez que as primeiras estimativas para 2012/13 sinalizam cerca de 180 milhões no total, sendo mais de 80 milhões em soja.

Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), no Estado a colheita deverá chegar 24,1 milhões de toneladas em 2012/13, 12,9% mais que em 2011/12, a partir de uma área plantada de 7,9 milhões de hectares, 11,6% maior na comparação. O Imea calcula que mais de 61% da futura colheita já esteja vendida.

Além da ferrugem, que já não é um problema novo, outros velhos gargalos pontuaram as conversas entre Mendes Ribeiro e Silval Barbosa entre Cuiabá, a capital de Mato Grosso, e Sorriso. Barbosa pediu, por exemplo, a retirada de estoques públicos dos armazéns da Conab para abrir espaço para o armazenamento da produção dos agricultores, uma vez que falta espaço para isso, sobretudo após a grande safrinha de milho que marcou o ciclo 2011/12.

Nesse sentido, Barbosa também reivindicou a realização de leilões de milho, a preços de mercado, para facilitar o frete para fora de Mato Grosso e, claro, a criação de linhas de financiamento para construção de armazéns. “Além da criação de linhas para armazenagem, o ministro disse que a Conab vai construir três armazéns na região”, disse o governador.

Por: Tarso Veloso
Fonte: Valor Econômico

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