Inclusão avança com iniciativas regionais

Até o fim do ano, 550 mil dos 700 mil moradores do Amapá passam a ser incluídos digitais. As obras para a implantação de 230 quilômetros de fibra óptica começaram em junho. Vão garantir banda larga com velocidade, qualidade e preço acessível a oito municípios. O Estado, que mais parece uma ilha cercada de obstáculos na selva amazônica, era o único sem fibra óptica no país. Os investimentos chegam a R$ 32 milhões. Incluem infraestrutura e compra da capacidade de compartilhamento com a rede de fibra óptica que está sendo instalada por uma empresa francesa na Guiana e da malha da Eletrobras.

Metade dos recursos é da Oi. A outra metade virá da isenção de ICMS que o governo do Estado vai conceder à operadora. Foi a saída para fazer o Amapá ingressar na modernidade. O Plano Nacional de Banda Larga do governo federal chegou para apenas cem assinaturas, esgotou em um mês, mas é por rádio e chega com apenas 100 quilobytes por segundo – quando chega. O da Oi deve garantir um Megabyte por segundo. Vai sair por R$ 29,90 para um internauta que paga R$ 219,00.

“A internet banda larga vai melhorar o PIB do Amapá. Agora se pode pensar até em criar um polo de tecnologia no Estado”, diz José Alípio Junior, diretor-presidente do Centro de Gestão da Tecnologia da Informação do Amapá (Prodap). “A Oi decidiu antecipar a chegada da fibra óptica no Amapá para garantir melhor qualidade de transmissão de banda larga”, afirma Carlos Cidade, diretor de política regulatória da Oi.

O governo do Pará investiu mais de R$ 40 milhões num dos projetos mais ambiciosos de inclusão digital do país. Trata-se do Programa de Democratização do Acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (NavegaPará). Em cinco anos já interligou mais de 1.500 instituições públicas e conectou mais de 60% dos 7,1 milhões de habitantes do Estado à internet de banda larga. O NavegaPará tem duas redes de fibra óptica: a da Metrobel, com 52 quilômetros de extensão e velocidade de 1 Gigabyte por segundo, que liga escolas e órgão da administração pública de Belém e Ananindeua, e a da Eletronorte, concessionária de serviços de energia, com outros 1.800 quilômetros, que transfere o sinal de internet a subestações de distribuição para os municípios com velocidade de 6 Megabytes por segundos no mínimo.

O Ceará montou a maior rede pública de banda larga do país. O Cinturão Digital forma um anel de 3 mil quilômetros de fibra óptica. Conecta 93 dos 184 municípios do Estado. O projeto custou R$ 68 milhões e entrou em operação no fim de 2011. A população ganhou internet com velocidade de um a dois Gbps, mas o acesso gratuito por enquanto é limitado às escolas e aos 58 telecentros espalhados por Fortaleza, cada um equipado com dez microcomputadores. Falta a universalização para toda a população. O governo cearense previa lançar em outubro o edital da licitação que escolherá o provedor de internet para o serviço de banda larga ao preço de R$ 29,00

Sud Menucci, no noroeste de São Paulo, combinou fibra óptica e rádio para garantir internet com acesso gratuito aos 7.440 habitantes. Há dez anos eles precisavam buscar a conexão discada num número interurbano. Hoje, graças à torre de transmissão instalada pela prefeitura, precisam apenas de uma antena, que custa em media R$ 200. Sessenta computadores auxiliam no aprendizado em três escolas públicas. O município tem um PIB de R$ 100 milhões e IDH considerado médio, mas é uma das poucas cidades do mundo com banda larga ilimitada e veloz.

O PNBL, que estabeleceu uma meta mínima de inclusão digital com banda larga de 2 Mbps em 40 milhões de domicílios a R$ 35,00 até 2014, em um ano chegou a 2 mil municípios. São cerca de 4,5 milhões de pessoas atendidas. “Estamos pensando agora no PNBL 2.0”, diz Arthur Coimbra, diretor do departamento de banda larga do Ministério das Comunicações. A intenção é lançar a nova versão ano que vem. O desafio é melhorar a velocidade da conexão, capacitar a população para o uso da ferramenta e desenvolver aplicações para a educação e a gestão municipal.

Por: Paulo Vasconcellos
Fonte: Valor Econômico

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