Queimadas poupam áreas de soja em MT

A massa de ar quente e seco que impede a chegada de chuvas há dezenas de dias em boa parte do país tem inflado o número de queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente entre os dias 1º e 13 de setembro, foram registrados mais de 33,8 mil focos de incêndios no Brasil. O número é 51% maior do que em igual período de 2011, quando foram registradas 22,3 mil notificações.

Mato Grosso lidera a lista, com 7,1 mil focos no mês, seguido por Maranhão (4,5 mil) e Tocantins (3,7 mil). A propagação do fogo põe em alerta os produtores rurais. “A região está em chamas”, diz Guilherme Nolasco, pecuarista de Chapada dos Guimarães (MT) e diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). A propriedade de Nolasco é vizinha ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que registra incêndios há uma semana.

A situação é agravada pela estiagem, que alcança 60 dias. As temperaturas estão na casa dos 40ºC e a umidade chegou abaixo de 9%. Há três anos, Nolasco perdeu 110 de seu 1,4 mil hectares de pasto para o fogo. “Se a queimada chega, temos de diminuir o rebanho pela menor disponibilidade de pastagens, o que nos causa prejuízos por ter de vender sem estar programado”, conta.

De acordo com Cléber Noronha, analista do Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea), não há relatos de queimadas em lavouras de soja. Ainda assim, a estiagem deve protelar o início do plantio (liberado a partir de 15 de setembro) e colocar em risco a produtividade, estimada em 51 sacas por hectare. Pode haver ainda interferência na safrinha de milho, já que quanto mais cedo se cultiva a soja, maior é a janela de plantio de milho no início do ano. Por isso, a área recorde de 2,9 milhões de hectares esperada em 2013 pode não se concretizar.

Por outro lado, a falta de chuvas pode compensar o atraso na chegada de adubos a Mato Grosso, por conta da paralisação dos servidores do Ministério da Agricultura e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A perspectiva é que a fuligem no ar ainda demore para dar trégua no país, especialmente no Centro-Oeste. “Os mapas não indicam chuvas consideráveis nos próximos 15 dias. O retorno das precipitações deve acontecer em outubro”, diz Manoel Rangel, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Por: Mariana Caetano
Fonte: Valor Econômico
Colaborou Fernanda Pressinott

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