Prefeito que foi preso durante mandato tenta reeleição em Macapá

Em Macapá, capital do Amapá, o atual prefeito, Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva (PDT, conhecido apenas como Roberto), tenta se reeleger após ter passado dois meses de seu mandato na cadeia, depois de acusação de envolvimento em corrupção. Há chances de que a disputa seja decidida no segundo turno.

No total, sete candidatos disputam a vaga à prefeitura. Macapá tem cerca de 253 mil eleitores e perto de 400 mil habitantes. A última pesquisa Ibope/TV Amapá, realizada entre 19 e 21 de setembro, mostra Roberto com 33% das intenções de voto, seguido de Clécio (PSOL), com 23%, e Cristina Almeida (PSB), com 13%.

“Para se entender a eleição aqui é preciso entender os dois grupos políticos que dominam a política do Amapá”, disse Eliane Superti, professora de Ciências Políticas da Universidade Federal do Amapá (Unifap), ao Valor. Segundo ela, um dos grupos é a família Góes, de Roberto, que ficou preso durante dois meses de seu mandato após a acusação de envolvimento com políticos aliados que foram detidos ao longo de 2010 pela operação “Mãos Limpas”, da Polícia Federal.

Em dezembro daquele ano, Roberto foi preso preventivamente após ter sido acusado de envolvimento em esquema de corrupção que levou à prisão o então governador, Pedro Paulo Dias, o ex-governador Waldez Góes (PDT, primo de Roberto) e a sua mulher, Marília Góes (PDT), que tinha acabado de ser eleita deputada estadual.

O segundo grupo político dominante é o da família Capiberibe, à qual pertence o atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), afirma Superti. Ele apoia a terceira colocada na última pesquisa de intenção de voto do Ibope, Cristina Almeida. Ex-policial, em 2006 ela chegou a ameaçar a reeleição do senador José Sarney (PMDB), que, na região, é ligado à família Góes e que teve participação praticamente nula na campanha municipal deste ano, diz Superti.

Clécio Luis, segundo colocado na última pesquisa do Ibope, é vereador desde 2005 e foi candidato ao governo do Amapá em 2006. Clécio foi secretário de Educação do atual governo estadual, mas fez uma campanha em que tentou se descolar dos grupos políticos tradicionais do Estado. “É o mais cotado para enfrentar Roberto no segundo turno”, afirma a professora de Ciências Políticas da Unifap.

Por: Filipe Pacheco
Fonte: Valor Econômico