Virada em Belém coloca tucano à frente do candidato do PSOL

Uma reviravolta marca o segundo turno das eleições municipais em Belém (PA), que tem 1,4 milhão de habitantes. O candidato do PSOL, Edmilson Rodrigues, líder nas pesquisas do primeiro turno – chegou-se a cogitar que sairia vencedor naquela fase – experimenta, agora, a segunda colocação com 42% das intenções de voto atrás de Zenaldo Coutinho (PSDB), que atingiu 51%, conforme pesquisa do Ibope.

Segundo recente levantamento do instituto, os eleitores de Zenaldo têm nível escolar universitário, renda familiar superior a cinco salários mínimos e idade acima de 50 anos. Ao contrário dele, Edmilson alcança melhor desempenho junto ao eleitorado que cursou entre a quinta e a oitava série, renda familiar de até um salário mínimo e idade entre 16 e 24 anos.

Prefeito de Belém pelo PT, de 1997 a 2004, Edmilson saiu com alta taxa de aprovação. Em 2005, ele migrou para o PSOL, sigla que surgiu no mesmo ano com um grupo de insatisfeitos com os rumos do PT no comando do governo federal. No entanto, sua campanha foi feita à sombra da antiga sigla e de atuais projetos do governo federal, como o Minha Casa, Minha Vida e o Saúde Família.

O candidato do PSOL afirma que obterá recursos com a presidente Dilma Rousseff mesmo fazendo oposição ao Palácio do Planalto. Em seu discurso, Edmilson, que é arquiteto e professor universitário, prioriza as regiões pobres, afirma que fará o “governo do povo”, corroborando o slogan da campanha “Belém nas mãos do povo”.

Seu adversário, Zenaldo Coutinho, conta com o apoio do governador do Estado, Simão Jatene (PSDB) – considerado localmente tão determinante quanto o da presidente Dilma Rousseff – e com candidatos a prefeituras da região metropolitana de Belém. Ele defende que essa articulação pode melhorar problemas graves na capital, como o transporte público.

Zenaldo é formado em direito, foi eleito vereador de Belém pelo PDT em 1983, aos 21 anos, e conseguiu a reeleição em 1988. Ele também foi deputado estadual três vezes e atuou como chefe da Casa Civil e secretário especial de proteção e desenvolvimento social durante o mandato do governador Simão Jatene. Para se aproximar dos eleitores de Edmilson Rodrigues, o candidato coloca a saúde, o saneamento e a segurança, como áreas prioritárias de seu possível mandato.

Por: Janice Kiss
Fonte: Valor Econômico

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