Para diretor da agência, há ‘oportunismo’

Guillo: "Embora seja um direito da empresa questionar as informações, não vejo nenhum fundamento nisso. Tudo denota apenas um interesse econômico"

O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, reagiu com indignação às acusações feitas pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR). “É totalmente infundado e desairoso esse tipo suspeição que ele [o consórcio] levanta, quando a agência sempre esteve aberta para fazer qualquer tipo de discussão. Uma vez que o consórcio de Jirau não conseguiu convencer com seus argumentos técnicos, ele pediu a instalação de um processo administrativo cuja avaliação técnica nossa é de um processo totalmente descabido”, disse ao Valor.

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Segundo Guillo, a ESBR está “pegando carona” em um momento em que a agência se vê envolta de uma série de investigações da Polícia Federal. “O que motiva Jirau não está relacionado a nenhuma preocupação de ordem ambiental, social ou de qualquer outra coisa. O que motiva Jirau, evidentemente, é uma questão econômica, de dinheiro. É uma postura oportunista”, comentou Guillo.

O diretor-presidente da ANA garantiu que todos os órgãos atrelados à autorização dada à hidrelétrica de Santo Antônio foram devidamente consultados, previamente à sua anuência, e que não houve nenhum tipo de ingerência política no processo de liberação. Guillo também nega que a agência tenha ignorado pareceres de seus próprios técnicos, para se basear em informações do consórcio Santo Antônio Energia. “Do ponto de vista técnico, não há nada a rever. Eu visitei as duas usinas, técnicos nossos fizeram as medições, chamamos as empresas e todos os órgãos para discutir tudo”, disse ele. “Embora seja um direito da empresa questionar as informações, não vejo nenhum fundamento nisso. Tudo denota apenas um interesse econômico. Jirau está mal intencionado, porque foi contrariado em seus interesses. Fica agora levantando suspeita, quando na verdade poderia se basear apenas em seus argumentos técnicos.”

Segundo Vicente Andreu Guillo, na próxima semana será enviada uma nota informativa à ESBR recusando formalmente seu pedido de processo administrativo. “Essa coisa da pessoa levantar suspeita sobre um critério técnico, quando ela justamente tem espaço para contestar esse critério, e coisa de mau caráter. Pode por isso aí. Esse tipo de colocação é uma coisa perniciosa”, disse o presidente da ANA.

O desenho original da usina de Santo Antônio previa 3.150 megawatts (MW) de capacidade e 44 turbinas. Com as mudanças, a hidrelétrica terá 50 turbinas e 3.569 MW de potência. Jirau, que inicialmente previa 3.300 MW de potência, teve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para ampliar sua capacidade para 3.750 MW. Apesar de as duas usinas terem ampliado a capacidade, segue em disputa quanto à divisão dessas novas parcelas de geração.

Segundo Guillo, a autorização de elevação de cota do rio Madeira não teve nenhuma influência pessoal do ex-diretor de hidrologia da ANA, Paulo Rodrigues Vieira. Cada processo que é apreciado pela diretoria colegiada da agência, disse Guillo, tem sempre como relator um diretor que não é ligado à área originária daquele processo. A elevação de cota do Madeira estaria vinculada à diretoria de regulação, e não de hidrologia, onde Paulo Vieira atuava. “Nada denota, por tudo que temos acompanhado até agora, que o ex-diretor Paulo Vieira utilizou do cargo para ações dentro da ANA. Isso tem sido dito pela própria Polícia Federal.”

Fonte: Valor Econômico

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