Incra: jovens serão priorizados em novos loteamentos

Para presidente do Instituto, ajuda na produção do assentamento já é satisfatória

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Mário Guedes, reconheceu que são necessárias novas políticas públicas para que os assentamentos sejam locais atrativos à fixação da juventude. E anunciou que, a partir deste ano, o instituto deverá priorizar o atendimento dos jovens na distribuição de lotes em novos assentamentos ou naqueles em que os assentados desistiram do programa.

– É preciso entender que o enfrentamento desta situação depende da integração de políticas públicas de várias áreas do governo. Vamos dar prioridade para que o acesso à terra seja dado aos jovens. Tanto em novos lotes da reforma agrária quanto em lotes onde houve desistência do favorecido. Devemos começar este processo ainda em 2013 – afirmou Guedes.

O presidente do Incra destacou, no entanto, que o êxodo nos assentamentos seria menor em relação aos demais segmentos da agricultura familiar, em razão da cultura de luta pela terra e da unidade das comunidades. E ressaltou a existência de experiências ainda pontuais para avançar em educação e cultura nos loteamentos.

Mário Guedes admitiu que um dos principais problemas a serem enfrentados é o sistema de sucessão rural do lote para que os filhos de assentados possam ter acesso ao financimento. Ele anunciou que o BNDES lançará, em fevereiro, uma linha de crédito de R$ 200 milhões para beneficiar projetos que priorizem o incremento de valor agregado à produção dos assentamentos.

Quanto ao êxodo de jovens mulheres, Guedes reconheceu que a situação é mais delicada.

– O mundo do campo valoriza as relações paternalistas ou até mesmo machistas – diz Mário Guedes.

Entretanto, o presidente do Incra relativiza a migração dos jovens nas áreas rurais. Compreende que o jovem, muitas vezes, mora fora do assentamento, mas participa da produção. E diz que os dados sobre o êxodo rural não interpretam adequadamente o cenário.

– Não acho que tenhamos que fazer com que o jovem viva no assentamento. Se ajudar na produção da área, já é satisfatório.

Fonte: O Globo

Deixe um comentário