Ágata 7: Comunidades isoladas do interior do AM recebem consulta médica pela 1ª vez

Ação cívico social de operação militar na tríplice fronteira leva atendimento a ribeirinhos e indígenas sem acesso a médicos e dentistas

As populações ribeirinhas e indígenas que vivem em áreas isoladas no interior do Amazonas evidenciam um problema grave: falta de assistência médica e de maior acesso à educação. Grande parte do problema ocorre devido à geografia do Amazonas. Entretanto, enquanto o déficit de médicos no Amazonas não é resolvido, um grupo de universitários finalistas dos cursos de Medicina e Odontologia das universidades Federal e Estadual do Amazonas, Ufam e UEA, respectivamente, fizeram a diferença na vida de pessoas que nunca tinham recebido atendimento médico no município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus).

Os acadêmicos foram voluntários na operação Ágata 7, que envolve o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Além de coibir crimes em 16,8 mil quilômetros de fronteira do Brasil com dez países sul-americanos, a operação também leva a comunidades distantes as Ações Cívico Sociais (Acisos). Nelas são disponibilizados serviços como emissão de documentos, palestras e o que é mais esperado pela população: atendimento médico. O grupo de 25 voluntários na fronteira é formado por alunos do 8º e 9º período de cada curso. Eles reforçaram o efetivo de profissionais das Forças Armadas em consultórios terrestres e fluviais.

Segundo a coordenadora do grupo voluntário, Érica Silva Carvalho, a ação foi fundamental para os universitários pelo crescimento humano que tiveram. Érica é professora do curso de Odontologia da UEA, e contou que o fato que mais chamou atenção foi o relato das pessoas que pela primeira vez estavam na frente de um médico. “Seja adulto ou criança, tivemos vários casos de pessoas que nunca tinham ido ao dentista ou ao médico. Isso não porque não quisessem, mas porque moram onde não tem essa assistência”, disse.

A doméstica Fátima da Silva Alecondre, 24, foi uma das pessoas que tiveram o primeiro atendimento odontológico da vida, com um aluno da UEA. Ela se emocionou após a consulta ao saber que o grupo era voluntário e que estava distante de casa e da família apenas com o propósito de ajudar. “Eu agradeço muito. É difícil conseguir qualquer atendimento com médico. Nunca fui ao dentista antes porque não tinha como. Eles poderiam estar com a família, mas estão aqui ajudando quem precisa”, disse.

Para a professora Érica, o sorriso e o agradecimento das pessoas atendidas durante a Aciso são o maior retorno que o grupo poderia receber.

O atendimento foi feito no Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), em Tabatinga, e no rio Solimões, no navio da Marinha NasH Doutor Montenegro (U-16). A embarcação foi construída especificamente parta exercer a função de navio de assistência hospitalar.

Além da saúde, ação educacional

Outra iniciativa voluntária na operação Ágata 7 foi a entrega de livros a comunidades ribeirinhas e indígenas pelo escritor e professor universitário, Cleber Sanches. Ao invés de receber o dinheiro da vendas dos livros de sua autoria, referentes a direitos autorais, Sanches pediu que a editora convertesse o repasse em exemplares das obras para que pudesse doá-los.

Quase 400 pessoas entre indígenas e moradores de comunidades de difícil acesso na tríplice fronteira receberam os livros Fundamentos da Cultura Brasileira e Cobra Grande, este de contos infantis.

Ele é advogado e ex-paraquedista do Exército. A ideia de doar os livros partiu de um encontro de veteranos, onde conversou com o comandante Militar da Amazônia (CMA), general Eduardo Villas Boas. “Perguntei porque além de remédios e médicos não levavam também livros para promover a leitura e educação. O general disse que tinha médicos, mas que não livros”, disse.

Fonte: A Crítica

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Um comentário em “Ágata 7: Comunidades isoladas do interior do AM recebem consulta médica pela 1ª vez

  • 6 de outubro de 2015 em 11:56
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    SOU ADVOGADA,MORADORA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, ESTUDIOSA DA VIDA AMAZÔNICA, TENHO UM PROPÓSITO DE VIDA, QUE É UMA AJUDA SOLIDÁRIA ÀS COMUNIDADES RIBEIRINHAS E INDÍGENAS, REMOTAS.
    TENHO CONDIÇÕES DE PRESTAR SERVIÇOS DENTRO DA MINHA ÁREA, SÓ PRECISO SABER COMO CHEGAR À ESTAS COMUNIDADES.SERIA UM TRABALHO QUE DIVIDIRIA COM O MEU TRABALHO AQUI NO RIO DE JANEIRO.
    GOSTARIA QUE ESTE TRABALHO FOSSE FEITO AO LONGO DO RIO NEGRO.
    DE NOVO AIRÃO ATÉ SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA E SEUS DESDOBRAMENTOS.
    NO AGUARDO,
    MAGDA BUENO

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