Cheia já é a oitava maior registrada no Amazonas

As informações são do alerta de cheia feito pelo Serviço Geológico do Brasil.  Cota atingiu nessa segunda-feira(03), 29,28m

Lixo ainda é o principal legado da cheia; igarapé do 40, na fronteira dos bairros Cachoeirinha, Betânia e Santa Luzia (Antonio Lima)

O nível do rio Negro chegou nessa segunda-feira(03) a 29,28 metros e já é o oitavo maior da história, podendo atingir a cota de 29,71 metros até o final deste mês, conforme foi anunciado nessa segunda-feira(03) no Terceiro Alerta da cheia feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Se isso acontecer, será a terceira maior enchente, ficando atrás das cheias de 2012, a maior de todos os registros, com 29,97 e de 2009, com 29,77 metros.

De acordo com Daniel Oliveira, do CPRM, além das chuvas nas calhas do rio Negro e nas regiões Norte e Noroeste do Amazonas, a cota do Negro em Manaus é influenciada também pela cheia do Solimões, que sobe e represa o Negro. Com a continuidade da subida das águas, os moradores das áreas próximas às margens de igarapés como o do 40, no bairro da Betânia, Zona Sul, têm que sair de casa, e na Feira da Manaus Moderna, no Centro, Zona Centro-Sul, as águas obrigam os clientes a andar sobre engradados colocados sobre o asfalto. O lixo é outro fator que contribui para o mal estar dos moradores atingidos pelas águas. O odor de esgoto sanitário chega a dar ânsia de vômito nas pessoas, reclama uma moradora, que caminha com um pano protegendo o nariz.

De acordo com o CPRM, como 75% das cheias que aconteceram desde 1902, quando começou o registro, finalizaram no mês de junho, espera-se que o mesmo aconteça desta vez. “Hoje, esta enchente já é considera grande”, afirmou Daniel. A expectativa é que a subida das águas se estabilize nos próximos dias, já que os últimos registros indicam apenas um centímetro de elevação a cada dia.

Neste nível, as águas invadem mais de 14 bairros, registra a Defesa Civil do município, que apresentou ontem um balanço parcial dos atendimentos realizados na Operação Enchente.

A Prefeitura informa ter cadastrado mais de 1,7 mil famílias. Pelo menos 800 estão na fila para receber aluguel social. Outra medida é a construção de pontes para facilitar o acesso das pessoas às moradias nas áreas alagadas. Pelas contas apresentadas, já são mais de quatro mil metros de pontes em toda a cidade.

Pelos dados divulgados pelo CPRM, nas últimas três maiores cheias, a permanência da cota acima de 29 metros, que é a cota de emergência, foi de 50 dias. Neste ano, essa cota foi detectada há 12 dias e seguindo as estatísticas, faltariam 38 dias para as águas começaram a baixar.

Solução não chega para todos

A poucos metros dos apartamentos que estão sendo construídos pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), para os moradores de áreas atingidas pelas enchentes, o casal Diógenes Cardoso Neves, 23, e Kedma Lopes, 22, teve que sair do barraco onde mora porque foi invadido pelas águas do Igarapé do 40, na Betânia, Zona Sul. “Não tivemos ajuda de ninguém, estamos pagando o aluguel”, reclamou Kedma.

Já dona Maria Januária de Souza, 54, foi contemplada com um apartamento do programa e livrou-se da enchente. Em casa, no entanto, ela contempla o leito do igarapé coalhado de todo tipo de lixo e dejetos, inclusive sanitários. “É uma podridão só”, lamentou, reclamando que a canalização do conjunto é insuficiente para expelir todos os dejetos produzidos nos apartamentos, o que causa vazamentos.

Por: Ana Celia Ossame
Fonte: A Crítica

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