Gaúcha aliciava mulheres para Belo Monte

Uma ação conjunta das polícias gaúcha, catarinense e paraense prendeu, na quinta-feira, em Passo Fundo, uma mulher denunciada por aliciar garotas, jovens e travestis do sul do Brasil para exploração sexual no sudoeste do Pará. Natural de Tapera, Claci Fátima Morais da Silva, 42 anos, teria boates em Santa Catarina e levaria pessoas para Altamira e Vitória do Xingu com a promessa de ganharem até R$ 1 mil por dia para trabalhar na barragem de Belo Monte.

Conforme a titular da Delegacia da Mulher de Altamira, Thalita Rosal Feitoza, as investigações se iniciaram em fevereiro, após uma adolescente de 16 anos, que estava no grupo de 18 vítimas da quadrilha, ter conseguido fugir e denunciar o esquema ao Conselho Tutelar e à Polícia Civil. A investigação apontou que as 16 mulheres, a adolescente e o travesti viviam em condições precárias, trancadas em quartos e sem energia elétrica à noite.

– Conseguimos desmontar a quadrilha no Pará. Apenas um integrante está foragido, fora do Pará – afirmou a delegada.

Chefe da Inteligência da Polícia Civil no Rio Grande do Sul, o delegado Emerson Wendt disse que os agentes tinham a informação de que Claci Fátima estava em Passo Fundo na casa de um familiar. As andanças se escondendo da polícia seriam frequentes e facilitadas pelo fato de o marido dela ser motorista de caminhão. Ainda segundo Wendt, a suspeita não mostrou resistência à prisão, que ocorreu no final do dia.

Movimento criado por usina foi atrativo para quadrilha

De acordo com a delegada-geral adjunta da Polícia Civil do Pará, Christiane Ferreira, os aliciadores se aproveitaram do movimento gerado pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a cerca de 10 quilômetros de uma das boates, a Xingu, para realizar a exploração sexual. Outros dois suspeitos de integrarem a quadrilha, que também foram presos, Adão Rodrigues e Solide Fátima Triques, são conhecidos da polícia.

– Os dois já foram donos de mais de 10 casas de prostituição em várias cidades do Brasil – disse a delegada Christiane.

Ao todo, seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal do Pará, em março. Elas são suspeitas de crimes como trabalho escravo, tráfico de pessoas, exploração sexual. O grupo foi identificado pelas vítimas em fevereiro, depois de operação da polícia. Claci Fátima, que tem pedido de prisão preventiva expedido pela Justiça paraense, está presa em território gaúcho, mas a delegada Thalita acredita que ela será transferida para o Pará, Estado de origem da investigação.

Por: Eduardo Rosa
Fonte: Zero Hora

 

 

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