Acusado de mutilar 15 mulheres deixa Mais Médicos

O Ministério da Saúde decidiu desligar o médico e ex-deputado federal Carlos Jorge Cury Masilla, de 56 anos, do Programa Mais Médicos. O afastamento ocorreu um dia depois de o Correio revelar que o profissional, destacado para trabalhar em Águas Lindas (GO), é acusado de mutilar e causar lesões em pelo menos 15 mulheres em Manaus. Ele também é suspeito da morte de duas pacientes. Após consulta ao Conselho Federal de Medicina, o governo federal invalidou a inscrição de Cury.

Além de ser acusado de mutilar e causar lesões corporais em pelo menos 15 mulheres de Manaus, o médico Carlos Jorge Cury Masilla é suspeito de ser o responsável pela morte de duas pacientes. A denúncia foi levada ao Ministério Publico Federal (MPF) e tramita em sigilo. As mulheres, que afirmam ter sido lesadas por Cury, entregaram uma representação coletiva ao MPF em fevereiro deste ano. No documento, afirmam que os erros cometidos pelo médico resultaram na morte de Laureci Fuzari e Maria Alteniza de Lima Salles.

Filha de uma delas, a funcionária pública Magali Salles conta que a mãe era obesa e pesava 140 quilos em novembro de 2010. Alteniza teria procurado o médico para fazer uma operação no abdômen. “Mas o Dr. Cury sugeriu fazer também cirurgia bariátrica e na vesícula”. Os três procedimentos custaram R$ 25 mil. De acordo com Magali, a mãe começou a passar mal no dia seguinte à operação. Uma semana depois, Alteniza morreu devido a uma infecção generalizada.

Magali ainda se surpreendeu quando se encontrou com Cury no enterro da mãe. “Eu me lembro que perguntei se ele era mesmo cirurgião. Ele disse que sim”, recorda. A filha da vítima ficou extremamente preocupada ao saber que Cury havia sido selecionado pelo programa Mais Médicos. “Esse homem não é médico. Mas, sim, um assassino, frio, calculista e mercenário”.

A artista plástica Emília Alencar, 42 anos, sobreviveu depois de passar pelas mãos de Carlos Cury. “Mas ele estragou a minha vida para sempre”, afirma. Segundo ela, nenhum médico aceita reparar os danos que o profissional teria cometido em seu corpo, pois adquiriu uma série de infecções. “As cicatrizações ficaram falhas, porque ele cortou de maneira errada o tecido da minha pele”, justifica.

Por meio de fotografias e vídeos, Emília mostra as marcas que ficaram no seu corpo: os seios ficaram assimétricos, sua bacia entortou e as cicatrizes ficaram cobertas de pus. Após o trauma da operação, a artista plástica deixou de trabalhar e desenvolveu o transtorno psicológico de bipolaridade. “Eu me tornei uma pessoa anti-social com essa doença. Não consigo fazer nada. Meu mundo ficou cinza”, desabafa.

Fonte: Correio Braziliense

Deixe um comentário