Pará tem a pior gestão do SUS, segundo tribunal

Um relatório aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que o sistema de saúde do Brasil está precário, com déficit no quadro de profissionais; superlotação nos hospitais, principalmente nos atendimentos de emergência; falta de equipamentos mínimos e falta de medicamentos. E se está ruim em todo o país, imaginem no Pará. E foi exatamente esta constatação do TCU que mostrou um quadro debilitado, mesmo em hospitais que teriam obrigação de apresentar bons resultados, já que estão sob a administração de uma organização social.

O relatório do TCU confirmou o que já havia sido divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): o governo do Pará é o que menos investe em saúde no Brasil. Em termos per capita, era o pior resultado do país em 2010, com R$ 397,00 por habitante, seguido por Maranhão (R$ 436) e Bahia (R$ 476). O TCU fez um amplo levantamento sobre a assistência hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde no Distrito Federal e nos 26 estados. Foram visitados 114 hospitais federais, estaduais e municipais em todo o Brasil, além de dois hospitais classificados como entidades sem fins lucrativos.

Sobre esta inspetoria, sem informar mais detalhes (o Tribunal informou que vai detalhar o relatório nos próximos dias), foi reservado um adendo ao Pará: “O Hospital A informou faltar autoclave, respirador, carrinho de anestesia, intensificador de imagem, lavadora termo desinfecção, sterrard, raio x de 800 a 600k, ultrassom e tomógrafo. O hospital B relatou a falta de Monitor, Ventilador, Tomógrafo e Raio-X. Por sua vez, o Hospital D (Santarém) relatou a falta de máquina de lavar e secadora de grande precisão, centrífuga, tomógrafo (a realização de exames era terceirizada), ressonância magnética, aparelho de ultrassom com doppler e eco, além de três bisturis elétricos de grande precisão. Uma das unidades apontou a necessidade de renovação de respiradores mecânicos e câmara de frios. Todas as unidades hospitalares visitadas informaram possuir equipamentos de alto custo antigos ou desatualizados. Os equipamentos citados foram videolaparoscópio, raio X, autoclave e equipamentos de lavanderia. Uma das unidades informou haver mamógrafos não utilizados ou subutilizados devido à falta de reveladora e sala com refrigeração adequada”.

E conseguir uma consulta pelo Sistema Único de Saúde é uma batalha desigual. O relatório mostrou que, em 2010, a média de consultas por habitante no Brasil foi de 4,0, colocando o país na quarta menor quantidade de atendimento entre 29 países cujos dados foram compilados pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE). Pará e Amapá tiveram o pior desempenho do Brasil, ambos com 2,1 consultas por habitante, seguidas de perto por Piauí, com 2,2. Em contraste, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro realizaram 6,0, 4,2 e 3,8 consultas. Roraima e Rondônia apresentaram o maior crescimento no número de consultas por habitante, quando considerada a população dependente do SUS, mais do que dobrando esse quantitativo entre 2000 e 2010.

Estrutura também é altamente deficitária

Os dados relativos aos principais equipamentos de diagnóstico – mamógrafos, tomógrafos computadorizados; e equipamentos de ressonância magnética – expõem a deficiência no Pará. No Brasil havia, em 2013, 21,1 mamógrafos por milhão de habitantes. No Pará, o total de mamógrafos chega a 10,3 por milhão de habitantes, sendo o quarto pior resultado do país. O problema está na distribuição: 60% desses aparelhos estão na rede particular, portanto inacessíveis à população que depende do SUS. O Pará também tem a mesma quantidade de tomógrafos computadorizados em razão de um milhão de habitantes, 10,3, sendo distribuído de forma igualitária entre instituições públicas e privadas.

Quando fala em estrutura do sistema de saúde, o relatório mostra que o Estado ainda amarga as piores médias. Em 2013, comparando a taxa de médicos por 1.000 habitantes, por exemplo, Maranhão, Pará e Amapá estão praticamente iguais (0,7, 0,8 e 0,9, respectivamente), que apresentam as menores taxas do país, comparáveis apenas com as de países da África. É discrepante também observar que, entre os estados, os menores índices de postos de trabalho públicos ocupados estão no Pará (0,89), Maranhão (0,98) e Mato Grosso (1,18).

DEFICIÊNCIA

O trabalho mostrou que 81% das unidades hospitalares analisadas apresentavam déficit no quadro de profissionais. O TCU mostra que a deficiência, por sua vez, é apontada como o principal motivo para o bloqueio de leitos. A falta de equipamentos mínimos também foi considerada no relatório uma das causas importantes para a redução das vagas nos hospitais.

Fonte: Diário do Pará

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