Acre vai distribuir apitos para população ajudar polícia na capital

O governo do Acre tem sido duramente criticado nas redes sociais nas últimas 48 horas, após o lançamento da campanha “Vizinhança Solidária”, da Secretaria de Segurança Pública, que consiste na distribuição, em Rio Branco, de quatro mil kits contendo apitos, adesivos, ímãs de geladeira e panfletos, para que sejam usados no combate à violência. Moradores de bairros da capital acreana vão receber o kit e devem apitar em sinal de alerta quando perceberem alguém em atitude suspeita na rua.

A campanha foi idealizada pela Secretaria de Segurança Pública e contou com o apoio da Associação Comercial do Acre (Acisa), que pagou R$ 12 mil pelo kit. A iniciativa virou motivo de chacota. No final de semana, por causa da repercussão negativa, da parte de secretários e assessores do governo as opiniões passaram a brotar como sendo um “projeto do empresariado”.

No sábado, a secretária adjunta de Comunicação, Andréa Zílio, disse que o governo estadual, por meio da Secretaria de Segurança Pública, prestigiou e apoia a iniciativa dos empresários. Ela acrescentou que “a iniciativa dos empresários é uma ação preventiva que une esforços da comunidade, como uma aliada ao trabalho da polícia”.

Consultado pela reportagem, o presidente da Acisa, Jurilande Aragão contestou a secretária:

– Há seis meses, o secretário Ildor Reni Graebner, que estava acompanhado da cúpula da segurança pública do Acre, procurou a Associação Comercial, apresentou a campanha Vizinhança Solidária e nos pediu apoio financeiro. Nesses meses, o secretário chegou a nos cobrar até na presença do governador. Não dava mais para adiar o cumprimento do nosso compromisso de apoio a um projeto que o secretário tinha como prioridade – disse Jurilande.

A secretária Andréa Zílio havia acrescentado que os empresários lançaram a campanha por entenderem que a comunidade pode ser uma grande aliada no combate à violência.

– Nós apenas apoiamos essa campanha do governo, a exemplo de outras. Porém, nenhuma fez tanto barulho quanto essa. Quando o secretário de Segurança procurou os empresários para pedir apoio, vários alertaram que a campanha poderia gerar gracejos. Não paro de ouvir piadinhas e atender amigos ao telefone dizendo “quero meu apito – afirmou o presidente da Acisa.

Na manhã desta segunda-feira (12), Andréa Zílio publicou uma “nota sobre o erro”. Segundo ela, o Secretário de Segurança Pública, Reni Graebner, disse que “a maneira como explicou sobre o episódio dos apitos, causou um mal entendido”. O governo estadual admitiu que a iniciativa é da Secretaria de Segurança Pública.

– A PM desenvolve o trabalho da “Vizinhança Solidária” há mais de um ano, e agora acrescentou a ação do apito como uma forma da comunidade colaborar com o trabalho da polícia. A Acisa se prontificou a ajudar e a Secretaria de Segurança Pública solicitou os kits, que foram comprados pelos empresários e doados – escreveu a secretária de Comunicação.

“Milagre”

Neste sábado (10), durante a “Marcha para Jesus”, em Rio Branco, o governador do Acre, Tião Viana (PT), também se envolveu em polêmica nas redes sociais ao dar testemunho de um “milagre” operado pela “apóstola” Dayse, da Igreja da Visão Celular, que fez as águas do Rio Madeira baixarem quando o Estado estava isolado do resto do país por causa da enchente. Ao lado do governador, estavam o pastor e deputado Jamil Asfury, o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT) e a apóstola; atrás, a secretária estadual Raquel Moreira, de Turismo, que chorava de emoção com o testemunho:

– Eu estou emocionado. Recentemente, a apóstola Dayse me fez uma visita ao meu gabinete. Foi levar oração da Igreja da Visão Celular ao meu governo, na hora mais difícil da história do Acre. Era a hora em que o Rio Madeira alagou a BR e virou mar. A maior tragédia da Amazônia estava ocorrendo há mais de 60 dias e todas as forças já tinham sido usadas para superar aquele momento, mas o rio continuava subindo todos os dias e ali chegou apóstola Dayse. Parecia uma pessoa normal, amiga, onde construí uma amizade, com o pastor Arão, e com muitos pastores. E ela chegou ali, com a autoridade religiosa, na sua autoridade de igreja e disse: ‘Governador, eu quero fazer uma oração ao senhor, ao seu governo, ao Marcus Alexandre [prefeito de Rio Branco], a esse momento difícil do Acre. E vim lhe dizer que nos estamos intercedendo à Jesus e a água do Rio Madeira vai baixar’. Parecia impossível, naquele momento, mas no outro dia, meus amigos, as águas do Madeira começaram a diminuir.

No Acre, milagre tem prazo de validade. O Rio Madeira Madeira voltou a subir na semana passada e a causar alagamento na BR-364.

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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