Cidade fantasma surge no Peru após combate a garimpo ilegal de ouro

Com a repressão à mineração ilegal de ouro, a cidade amazônica de Huepetuhe, no Peru, virou um local fantasma. Da população original de 22 mil habitantes, pouco mais de 3.000 ainda moram ali.

A situação lembra a de Serra Pelada, no Pará, mina que foi alvo da corrida do ouro na década de 80 e chegou a ser chamada de “formigueiro humano”, abrigando cerca de 80 mil garimpeiros.

Homem procura ouro usando técnica rudimentar, chamada no Peru de 'chiquiquiar'

Em uma década, os garimpeiros ilegais teriam extraído, segundo dados do governo peruano, 159 milhões de toneladas métricas de ouro ou o correspondente a US$ 7 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) na região de Madre de Dios, onde está Huepetuhe.

O prefeito de Huepetuhe, Marco Ortega, afirma que a fuga de quase 85% da população está relacionada a ações do governo federal como a apreensão de gasolina e o envio de tropas para destruir o maquinário usado na mineração ilegal.

“A economia entrou em colapso. Os compradores de ouro, as lojas de equipamentos, albergues e todo o tipo de lojas fecharam.Nós somos uma cidade quase sem habitantes”, disse Ortega à agência de notícias “AP”.

Os bordéis da cidade, até então movimentados, estão como os postos de gasolina: vazios.

Autoridades peruanas disseram à Ortega que planejam ajudar os garimpeiros desempregados –mas até o momento a assistência não veio, diz o prefeito.

Garimpeiros remanescentes usam ferramentas rudimentares em busca de ouro. Acima, eles param para almoçar em uma mina na cidade de Huepetuhe, na região de Madre de Dios, no Peru

Danos ambientais

A região amazônica também sofreu as consequências da corrida pelo ouro. A área desmatada pode ser vista do espaço e toneladas de mercúrio, usado na mineração, contaminaram as cadeias alimentares da rica biodiversidade da região.

Os poucos garimpeiros remanescentes usam ferramentas rudimentares na extração do ouro –como picaretas, pás e motores pequenos.

Joel Macedo, 25, é um dos que ainda trabalham na cidade. Ele ganhava US$ 1.071 (R$ 2.403) como operador de máquinas pesadas, mas depois das medidas restritivas do governo, passou a receber apenas um quarto desse valor.

“Minha mulher trabalha comigo agora porque não temos nada para comer”, diz Maceda, pai de dois filhos. Ele espera que o governo permita que algumas minas operem, já que nem todas são ilegais. (Com AP)

Fonte: UOL Notícias

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