Queimadas caem 97% em Alto Boa Vista (MT)

Uma semana depois da prisão de invasores da terra indígena Marãiwatsédé quase foi zerada a incidência de focos de calor

Uma semana após a prisão dos invasores da Terra Indígena Marãiwatsédé, no município de Alto Boa Vista (1.059 Km a nordeste de Cuiabá), autoridades ambientais constataram que as queimadas ilegais diminuíram 97% na região. De acordo com o Centro Integrado de Multi-Agências Coordenação Operacional (Ciman Nacional), os focos de incêndio reduziram de 257 por semana para apenas sete.

Conforme a assessoria do Ministério Público Federal (MPF), responsável pela operação que prendeu o grupo, os números apenas comprovaram que a organização sabotava a área para impedir que a etnia Xavante usufruísse dos 165 mil hectares homologados por decreto do presidente da República desde 1998.

Com a prisão dos invasores, os brigadistas do Programa de Prevenção do Fogo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) puderam retomar as rondas e monitoramento da região.

Segundo o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Marcus Keynes, sem a ação dos criminosos ficará mais fácil controlar os incêndios florestais na região. “Sem os incêndios criminosos será possível manter sob controle o fogo, que é utilizado tradicionalmente pelos índios em suas roças de toco e em outras atividades culturais”.

O superintendente afirmou que além de atrapalhar o controle das queimadas, ação dos invasores também estava colocando em risco a vida dos brigadistas que trabalham na região.

Atualmente o órgão conta com nove brigadas do Prevfogo em Mato Grosso, sendo quatro indígenas, quatro de assentamentos e uma brigada especial atuando na Transpantaneira. Desde o mês de junho o território de Marãiwatsédé vem sendo monitorado pelos brigadistas do Bordolândia, do município de Serra Nova Dourada (874 km a nordeste de Cuiabá). Eles tem trabalhado em conjunto com a brigada da ONG Aliança da Terra e com os próprios índios xavantes na prevenção e no combate de focos de incêndio.

Prisão

No último dia 7, a Polícia Federal prendeu cinco pessoas, deteve outras oito em uma operação para desarticular a quadrilha. As medidas foram cumpridas em nove municípios, nos estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.

A retirada dos não índios de Marãiawtsédé começou no final de 2012. Porém, ainda em 2013 os posseiros voltaram a invadir a região, contrariando ordem dada pelo Supremo Tribunal Federal. Na ocasião foi necessário a utilização da Força Nacional para liberar a área.

Segundo o MPF, uma quadrilha aliciava pessoas para invadirem novamente o território e dificultar o trabalho da FUNAI, Polícia Federal e Força Nacional. A quadrilha mobilizava e transportava famílias de outras cidades com promessas de glebas de terra no interior da área indígena. Os suspeitos são acusado de invasão e grilarem de terras públicas, incêndio em edifício público, ameaça, associação criminosa armada, roubo, furto, sequestro e cárcere privado, entre outros.

Por: Gustavo Nascimento
Fonte: Diário de Cuiabá 

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