Apenas 30% dos casos de intoxicação por agrotóxicos no Amazonas são relatados

O dado foi apresentado pelo gerente de riscos não biológicos da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Nailton Ribeiro Lopes, durante mesa-redonda da Semana Nacional de C&T do Inpa

No Amazonas, cerca de 70% dos alimentos que chegam as casas é produzido pela agricultura familiar. Mas por falta de orientação correta o risco de o alimento estar contaminado por agrotóxicos é maior. O alerta é do gerente de riscos não biológicos da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Nailton Ribeiro Lopes, durante a mesa-redonda “Agrotóxicos: realidade e políticas públicas no Amazonas”, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

O evento ocorreu na última quinta-feira (16), no auditório da Ciência do Inpa, como parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que encerra oficialmente neste domingo (19).

De acordo com Lopes, apenas 30% das intoxicações por agrotóxicos no Amazonas são relatadas, percentual considerado “vergonhoso” comparado ao real risco que o agrotóxico traz. Um dos principais motivos, segundo o gerente, é a baixa capacidade de detecção da intoxicação, tanto em relação ao diagnóstico laboratorial, à assistência médica quanto das redes de atenção primária, média e de alta complexidade.

“Muitos profissionais de saúde nem perguntam em que e com que o cidadão trabalha para dizer o que realmente ele tem. Muitas vezes aquela dor de barriga, febre, não são sintomas de uma simples virose, podem ser de uma intoxicação por agrotóxicos”, contou Lopes.

Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados para combater pragas. Utilizados na agricultura, pecuária e também nos domicílios (matar pulgões e larvas plantas, eliminar cupins, ratos, entre outros), também são chamados de pesticidas, praguicidas, defensivos agrícolas, agroquímicos ou biocidas.

Conforme Lopes, a meta da FVS é que os 62 municípios do Amazonas tenham profissionais capacitados para fazer o diagnóstico correto e assim ajudar a reduzir as contaminações. “O risco não é só para o produtor, mas também para o consumidor”.

Também participaram do debate os representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Luadir Gasparotto; da Associação dos Revendedores de Agrotóxicos do Amazonas (ARAM), Joyce Oliveira; e do Centro de Informação Toxicológica (CIT/Ufam), Joquebe de Chaves.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Luadir Gasparotto, o agrotóxico é muito importante, mas o produtor precisa ter as informações adequadas para fazer o manuseio do produto. “Temos que trabalhar para evitar contaminações e não se preocupar depois do ocorrido. Para isso, é necessário um treinamento não apenas para os universitários, mas para alunos e principalmente para os produtores” disse.

Joquebe de Chaves chamou atenção dos participantes para os ricos dos agrotóxicos e informou que em casos de intoxicação pode ligar para Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas, que é um serviço do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/Ufam). O CIT presta informações toxicológicas gratuitamente via telefone (0800-722-6001), 24 horas por dia, sete dias por semana, para qualquer pessoa, seja profissional ou cidadão comum.

Embalagens vazias

Criada em 2007, a ARAM faz o recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos e tem mais de 400 postos de recebimentos no país. Um dos projetos da associação é o “Recebimento Itinerante”, que transforma containers velhos em grandes recipientes, facilitando o recolhimento em outras cidades. A expectativa é que até 2015 o projeto alcance todo o Amazonas.

“Nesse recebimento itinerante fazemos uma troca. O produtor nos dá as embalagens vazias e em troca damos informativos, orientação e documentação para a fiscalização”, contou a gerente do ARAM, Joyce Oliveira.

Fonte: Inpa

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