Estudantes indígenas do ICSA concluem graduação

Antonio Elielson Tembé e Jorge Alberto Sarmento dos Santos, da tribo Tembé Tene-tehara, são os primeiros estudantes indígenas a concluir a graduação na Universidade Federal do Pará (UFPA). Os dois já integralizaram os créditos dos cursos de Administração e Ciências Contábeis, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), respectivamente. Agora, aguardam a cerimônia de outorga de grau.

Para destacar a importância do momento, tanto para os estudantes indígenas quanto para a UFPA, na manhã desta segunda-feira, 6, estiveram reunidos com o reitor Carlos Edilson de Almeida Maneschy os professores do ICSA – entre os quais, a coordenadora pedagógica do curso de Administração, professora Fíbia Guimarães Brito, e o coordenador adjunto do ICSA, professor Manoel Raimundo Tavares Farias; além de familiares e amigos dos indígenas. A pró-reitora de Ensino de Graduação, professora Maria Lúcia Harada, da mesma forma, prestigiou a cerimônia.

Gestão – Os professores do ICSA destacaram a importância dos estudantes indígenas terem obtido a formação superior em cursos da área de Ciências Sociais Aplicadas, uma vez que, por meio dela, se torna possível aprimorar a gestão dos recursos e dos processos das sociedades em que estão inseridos. “As Ciências Sociais Aplicadas contribuem não só para o desenvolvimento do grande capital, mas também, no caso específico do Antonio Elielson e do Jorge, para a solução de problemas envolvendo os povos indígenas”, comentou a professora Fíbia Brito.

O tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Antonio Elielson foi “Análise Swot para a solução de problemas de saúde nas aldeias indígenas do Alto Rio Guamá”, enquanto o de Jorge Alberto foi “Instituições sem fins lucrativos: um estudo de caso na Associação Indígena Tembé das aldeias sede e Ituaçu”. As pesquisas estão disponíveis na biblioteca do ICSA.

Políticas afirmativas – O professor Manoel Farias destacou que os estudantes indígenas cursaram, com sucesso, todos os componentes curriculares dos cursos. “Isso mostra que as políticas de inclusão são positivas e, por isso, não se pode parar por aqui. Devemos acompanhar os egressos”, disse.

Para o reitor da UFPA, Carlos Maneschy, a inclusão feita pela UFPA, além de legítima, é mais virtuosa do que qualquer outra, pois incorpora o direito a quem foi negado por tanto tempo. “Um dos nossos orgulhos é a inclusão de quilombolas, indígenas e portadores de deficiência (PcD), que começou há quase quatro anos. A ousadia da UFPA trouxe problemas no primeiro momento, pois não dispunha das condições ideais para receber e fazer com que esses estudantes permanecessem no ensino superior. No entanto, se fôssemos esperar essas condições ideais, talvez elas nunca chegassem”, disse. “Portanto, o processo é de constante aprendizado. O problema é nosso de não saber como manter esses estudantes no ensino superior, mas são eles que devem nos dizer o que precisa ser feito”, complementa o reitor.

Luta antiga – Pedro Batista Pastana Tembé, pai de Antonio Elielson, afirmou que os Tembé Tene-tehara mantêm contato com os não indígenas há muito tempo. Desde a década de 1970, reivindicam melhorias na educação. “Antes, tínhamos acesso até a 4ª série do ensino fundamental”, contou.

Por isso, a responsabilidade de Antonio Elielson e Jorge Alberto é ainda maior. Ao retornarem para as sociedades deles, devem contribuir para a melhoria das condições do próprio povo. “Nesse sentido, vocês dois foram desbravadores – e, talvez por isso, tenham sofrido as maiores consequências. Enfrentaram muitas dificuldades, mas conseguiram concluir esta fase. Agora, devem mostrar onde a Universidade está errando para não só atrair mais alunos indígenas para cá como também para fortalecer as relações entre indígenas e não indígenas”, disse Maneschy. “Não querermos que os indígenas esqueçam sua cultura e suas tradições quando vierem cursar a graduação, mas que essas diferenças sejam respeitadas e engrandecidas.”

Por: Thaís Braga
Fonte: UFPA 

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