Propriedade intelectual de grafismo indígena gera polêmica nas redes

Anuiá Yawalapiti fala ao Amazônia Brasileira sobre o caso das sandálias com desenhos tradicionais dos povos do Xingu

A circulação em uma rede social de fotos de chinelos feitos com desenhos tradicionais dos povos xinguanos gerou grande discussão sobre a propriedade intelectual de patrimônios imateriais de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Anuiá Yawalapiti é autor do modelo dos desenhos usados por uma famosa marca de sandálias em kit distribuído como presente de final de ano pela empresa. O assunto gera muita polêmica pois os desenhos são usados desde tempos imemoriais e são repletos de significados. Um dos desenhos estampado nas sandálias é usado na pintura dos corpos dos índios do Alto Xingu no Kuarup, ritual fúnebre desses povos, e que fazem parte da cosmologia e da vida espiritual dos xinguanos.

Assim que a imagem dos chinelos apareceu postada no Facebook vários indígenas que estão conectados à rede social começaram a manifestar seu desagrado, e a questionar como aqueles desenhos haviam se tornado estampa para o produto. Anuiá, então, avisou pela rede, que ele havia feito os desenhos, porém queixou-se da falta de consulta aos caciques antes da execução, o que, segundo ele, havia sido acordado anteriormente. Ele também alega que sua foto estaria estampando a embalagem das sandálias e que isso não estaria no acordo firmado entre ele e a empresa.

O tema gerou grande desconforto entre os índios do Parque do Xingu que aguardam o retorno de Anuiá para discutir o assunto.

A produção do Amazônia Brasileira já entrou em contato com a assessoria de imprensa da fabricante do produto, disponibilizando um igual espaço para a empresa caso deseje se manifestar sobre o assunto e no momento aguarda resposta.

O programa Amazônia Brasileira vai ao ar de segunda a sexta-feira a partir das 08h na Rádio Nacional da Amazônia, em rede com a Rádio Nacional do Alto Solimões, onde é transmitido ao vivo às 05h. A produção e a apresentação são de Beth Begonha.

Produtor Beth Begonha
Fonte: Rádio Nacional da Amazônia 

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Um comentário em “Propriedade intelectual de grafismo indígena gera polêmica nas redes

  • 26 de dezembro de 2014 em 22:14
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    Parece difícil para os demais brasileiros o fato de que o grafismo indígena, especialmente o corporal, é o vestuário. Há grafismos ou “vestuário” para homem, mulher, idosos, jovens e crianças, bem como para as ocasiões festivas/rituais como luta, casamento, gravidez, nascimento, colheita, morte/luto, e outras. Faz-se urgente documentar os grafismos como propriedade por etnia e. assim, impedir que sejamos cada vez mais espoliados e explorados. Vejo que a entrevistadora não fez uma pergunta: porque ele usou uma grafia de outro povo, sabendo que há finalidades rituais especificas, muito além da “beleza”?

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