Designer faz escrita com a cara do Pará

O carimbó agora tem seu próprio dingbat. Para quem não sabe do que se trata, significa dizer que o ritmo paraense e patrimônio imaterial do Brasil, agora tem uma família tipográfica criada em sua homenagem, composta por pequenos desenhos ao invés de letras, e que são disponibilizadas em formato de fonte de computador, gratuitamente, para qualquer pessoa em todo o mundo, através da internet.

Designer paraense cria fonte de computador que homenageia o carimbó

O trabalho é assinado pelo designer paraense Mael, que viu nos símbolos e elementos do universo do carimbó uma oportunidade de divulgar ainda mais a nossa cultura, e é resultado de uma bolsa de pesquisa do Instituto de Artes do Pará.

“Fui em diversos municípios da região do salgado, no nordeste paraense, em Vigia, Curuçá, Marapanim, Maracanã, Salinas e Santarém Novo, onde identifiquei grafismos, instrumentos, expressões, movimentos e indumentárias características do carimbó praieiro. Através dessa pesquisa, trouxe elementos desse universo imagético, como tambores, expressões, animais e transformei em mais de 100 ícones que podem ser utilizados em material gráfico e são de livre domínio”, explica o designer.

A fonte recebeu o nome de Zimba, uma referência a como eram chamadas as rodas de carimbó antigamente. Com esse conteúdo, qualquer pessoa no mundo pode usar os ícones, desde que não seja para fins comerciais. Basta baixar no computador e começar a trabalhar os símbolos que estão categorizados em todas as letras maiúsculas e minúsculas e nos numerais.“Outros designers do Brasil já fizeram dingbats de literatura de cordel ou do Mang Beat, e de letras que compõem frases de caminhão. Eu mesmo comecei trabalhando no meu TCC uma fonte de computador formada por letras dos barcos da Amazônia, ou seja, já venho construindo essa busca da imagem no design utilizando elementos da cultura”, diz Mael.

“É uma forma de usar uma imagem como autorrepresentação de uma cultura, de uma expressão regional. O que eu espero é que artistas e grupos de carimbó possam usar para ajudar na divulgação e os ícones ganhem espaço nesses projetos”, acrescenta o designer.Ao pensar como os dingbats criados por ele podem se aproximar dos artistas e da divulgação do carimbó, Mael vai buscar um exemplo em Pinduca.

“O primeiro artista que ganhou o mundo com carimbó é o Pinduca e vi em um dos trabalhos dele o curimbó sendo representando de uma forma que não é real, tocado embaixo do braço, quando na realidade é tocado dentro das pernas. São coisas como essas que a fonte pode ajudar, a representação de uma forma mais real, tornar nossos símbolos mais conhecidos”, pontua o artista.

As possibilidades de utilização são infinitas dentro do universo do design, desde cartazes até estamparias para tecido. O próprio artista já começou a aplicar os ícones em produtos que estão em uma exposição permanente.

“Montei uma exposição permanente no Espaço Coisa de Negro com possibilidade das pessoas adquirirem peças, desde imãs de geladeira até quadros emoldurados”, completa Mael, que quer, em breve, inaugurar uma loja virtual com seus produtos.

Fonte: Diário do Pará

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