Rio Madeira continua a subir e famílias temem perder tudo com nova cheia

Rio Madeira marca 15,48m e está oscilando com tendência de crescimento. A média histórica do dia é de 13,47 metros, segundo a CPRM.

Família observa o rio da janela do quarto no bairro Nacional (Foto: Andreia Gonzalez/G1)

A família da Estéfani Gleice que mora no bairro Nacional, em Porto Velho, ainda não conseguiu se cadastrar na Defesa Civil para receber o auxílio aluguel. A família enfrentou a enchente do ano passado e temem perder novamente seus pertences. O nível do Rio Madeira está marcando nesta segunda-feira (2), 15,48 metros, dois centimetros a mais do registrado sexta-feira (30), segundo o Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisas em Recursos Minerais (CPRM). A prefeitura de Porto Velho já decretou oficialmente estado de alerta para uma possível cheia na última terça-feira (27), quando o rio atingiu a marca de 15,28 metros. A média histórica do dia é de 13,47 metros, segundo a CPRM.

“Perdi roupa, cama, sofá e até documentos e o rio já está chegando perto do poço e ficaremos sem água para beber”, afirma a moradora. “Estamos aguardando o que a Defesa Civil vai fazer, moramos em quatro famílias no mesmo local e a gente foi tentar fazer o cadastro e não deu porque eles falam que pode só uma família fazer e as outras não”, disse.

A Secretaria Municipal de Assistêncial Social (Semas) está fazendo visitas nas casas para verificar cada família e comprovar se elas vivem aglomeradas ou se são várias pessoas em uma casa, mas com vidas individuais.

Nível continua a subir

Segundo informações da Secretaria Municipal de Programas Especiais e Defesa Civil (Sempedec) a média de subida do rio está em 10 centímetros diários. O Rio Madeira subiu 16 centímetros em menos de 24 horas na sexta-feira (30) e chegou a 15,46 metros segundo o Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisas em Recursos Minerais (CPRM). O número ultrapassa a marca do ano passado, que na mesma data, 30 de janeiro, chegou a 15,44 metros.

Rio continua subindo em Porto Velho e famílias deixam suas casas (Foto: Andreia Gonzalez/G1)

Outro rio que vem oscilando é o Machado que nesta segunda (2), está marcando 8,84 metros e no último fim de semana marcou 8,72 metros. No município de Guajará-Mirim também foi decretado estado de alerta. Nesta segunda-feira (2) o Rio Mamoré está marcando 10,02 metros, segundo a agência fluvial da Marinha, doze centímetros a mais do registrado na última terça-feira (27).

Famílias atingidas

Segundo a Defesa Civil, ações de prevenção contra os efeitos da enchente já começaram a ser executadas. Famílias do Beco do Gravatal, no bairro Nacional, em Porto Velho foram realocadas em casa de parentes e outras já estão recebendo auxílio aluguel. A Defesa Civil está fazendo ainda um levantamento de pessoas que não têm local para se hospedar e precisarão ir para abrigos, que ainda não foram montados. O número 199, exclusivo para atender demandas da cheia, já está disponível.

Cheia histórica

A marca histórica do Rio Madeira até o momento é de 19,74 metros registrada no dia 30 de março de 2014. A cheia atingiu os municípios de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim e afetou cerca de 97 mil pessoas. 35 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas. No inicio, as famílias foram levadas para escolas e igrejas, mas posteriormente foram alocadas em barracas no Abrigo Único da capital, para não prejudicar o ano letivo.

Os custos para a recuperação total dos locais afetados foram estimados em R$ 4,2 bilhões e o tempo necessário foi calculado em 10 anos.

Por: Andreia Gonzalez e Karla Cabral
Fonte: G1 

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