Atingidos por Belo Monte acampam em frente à sede da Norte Energia

Atingidos protestam e montam acampamento em frente ao escritório da Norte Energia (FOTO: Joka Madruga)

Cerca de 300 atingidos pela barragem de Belo Monte ergueram acampamento em frente à sede da Norte Energia, dona da hidrelétrica, na cidade de Altamira (PA). Os manifestantes, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), só vão deixar o local quando a empresa atender a pauta de reivindicações.

Participam da atividade atingidos dos municípios de Altamira, Vitória do Xingu, Brasil Novo e Senador José Porfírio, tanto das cidades quanto da área rural. “A Norte Energia já pediu a licença de operação para o Ibama e já declarou que pretende começar a encher o lago em setembro, para colocar a primeira turbina para funcionar ainda em dezembro deste ano. Com essa pressa toda, nossos direitos certamente ficarão para trás”, afirma Carla Rodrigues, militante do MAB e atingida da zona urbana de Altamira.

Da cidade de Altamira, quase 10 mil famílias estão sendo desalojadas devido à barragem, no entanto, a empresa só vem reconhece o direito ao reassentamento de pouco mais de 4 mil famílias. Algumas só tem o direito à indenização (insuficiente para comprar outra casa) e outras nem isso.

Nas cidades de Brasil Novo e Vitória do Xingu, as famílias foram obrigadas a fazer ocupações urbanas para conseguir o direito à moradia pois os aluguéis na região estão muito altos devido à construção da barragem. Agora, elas lutam para regularizar seus terrenos e também para que a Norte Energia reconheça que há impactos também nessas cidades.

Também participam da atividade moradores da Ilha da Fazenda e da Vila da Ressaca, na Volta Grande do Xingu, trecho de mais de 100 km do rio que vai praticamente secar pois a água será desviada por canais para alimentar as turbinas da barragem. A Norte Energia não tem proposta que garanta de fato a sobrevivência dessas comunidades.

Os moradores da área rural do Assurini serão atingidos pelo lago da hidrelétrica e os que não perderão suas terras temem ficar isolados e sem acesso a políticas públicas para permanecerem no campo. Famílias de outras áreas rurais na proximidade, em especial nos travessões da Transamazônica, também lutam para garantir a permanência no campo com qualidade de vida, que vem sendo prejudicada pela barragem.

Participam da mobilização também categorias de trabalhadores como oleiros e carroceiros, que tiveram suas atividades econômicas prejudicadas com a construção de Belo Monte, além de atingidos que já estão morando no “reassentamento” urbano da Norte Energia, e estão sofrendo com sua qualidade. Eles denunciam a má qualidade das casas, feitas de concreto injetado, a falta de equipamentos públicos nas áreas e também problemas de infraestrura (por exemplo, já estão há cinco dias sem o fornecimento de água).

A atividade faz parte da Jornada de Lutas do MAB, que ocorre esta semana em todo o Brasil por ocasião do 14 de Março, dia Internacional de Luta Contra as Barragens e pelo Direito dos Atingidos.

Fonte: MAB

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