Recuperar pastagens pode compensar metano emitido pelo boi

Estudo sobre emissão de metano por bovinos reforça aposta em pastos melhorados

O resultado de estudo recente sobre emissão de metano por bovinos reforça a necessidade em apostar na recuperação de pastagens para mitigar gases do efeito estufa, segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad. Para ele, o pasto melhorado pode sequestrar carbono o suficiente para neutralizar o metano emitido pelo boi.

A pesquisa realizada pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo (IZ), em parceria com a Embrapa e outras instituições, concluiu que a quantidade de metano emitida entre bovinos da raça nelore que consomem menos alimentos é similar ao emitido por aqueles que ingerem mais alimentos, considerados menos eficientes. A pesquisa durou de 2011 a 2014 e analisou um total de 464 animais em fase de crescimento, em confinamento e no pasto.

Nos casos analisados, foram emitidas cerca de 140 gramas de metano por dia. O metano é o principal gás de efeito estufa gerado na pecuária, produzido pelo sistema digestivo do animal e eliminado através do arroto. Estima-se que esse gás é o segundo maior contribuinte para o aquecimento global, seguido do dióxido de carbono (CO2).

“O estudo só corrobora aquilo que já sabíamos. A alimentação do animal, por mais que seja importante, emite a mesma quantidade de metano. Ou seja, a redução das emissões não virá da dieta do boi, mas sim pela neutralização do metano emitido por ele, convertido em CO2 e fixado no solo”, explicou Assad.

A pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), Susian Martins, reforçou a conclusão de que, ao recuperar pastagens por meio de tecnologias de agricultura de baixo carbono, o próprio sistema produtivo pode neutralizar as emissões de carbono equivalente na atmosfera, aumentando seu armazenamento no solo.

Abate precoce

Outra constatação feita por Martins é a de que o abate precoce do rebanho também significa menos emissões por unidade de carne produzida por hectare ao ano. Sobre esse tópico, a pesquisadora do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Marina Piatto, também destaca o abate do animal mais jovem como estratégia para emitir menos gases. “Claro que a criação de três bois por hectare emite mais do que um boi por hectare. Mas, o animal que vive menos, emite menos”. Segundo Piatto, a lógica é considerar a emissão de CO2 equivalente por quilo de carne produzida e pelo tempo que demorou para ser produzida.

“Se você encurtar o ciclo do animal em 18 meses, já diminui significantemente as emissões, comparado a um animal que viveria mais”, reforça Vando Telles, coordenador da Iniciativa de Pecuária Integrada do Instituto Centro de Vida (ICV).

Melhoramento genético

“O fato é que quando o animal ganha peso mais rápido, melhorado geneticamente, é possível fazer o abate precoce. O melhoramento genético pode trazer benefícios indiretos nesse sentido”, disse Piatto. Segundo o estudo do IZ, discussões recentes têm abordado o impacto potencial da genética animal na intensidade de emissão de cada animal, mas há pouca informação sobre as oportunidades de mitigação por meio de melhoramento genético animal.

O estudo reconhece que, apesar de não apresentar vantagens em redução de emissões, os animais mais eficientes podem apresentar outros ganhos ambientais e financeiros, pois tendem a economizar alimentação e gerar menos fezes.

Também para Assad, o melhoramento genético precisa ser mais estudado no Brasil. Segundo o pesquisador, comparar emissões por raça de boi é um dos pontos a ser aprimorado. Atualmente a estimativa para o fator de emissão é de 55 Kg de metano por cabeça ao ano. “Mas de qual espécie estamos falando? Seria importante saber quanto de metano emite cada raça de boi”, concluiu.

Fonte: Observatório ABC

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