Uma jornada em busca de justiça

Ato de resistência e luta em memória a Zé Claudio e Maria, realizado em maio do ano passado. Agora, a família precisa de apoio para realizar um novo ato, marcando os 4 anos do assassinato do casal de extrativistas que defendia a floresta (© Greenpeace/Fábio Nascimento)

O dia 24 de maio marca quatro anos do assassinato do casal Zé Claudio e Maria, que dedicou suas vidas para proteger a Amazônia, combatendo a extração ilegal de madeira e a grilagem. Para lembrar a data e protestar contra a impunidade dos criminosos, a família organiza o IV ato em memória ao casal: A Floresta Vai Gritar: Não à Impunidade, no assentamento Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, no sudeste do Pará, onde eles viviam.

No ano passado nós do Greenpeace estivemos lá acompanhando o terceiro ato em memória ao casal. Ao lado dos familiares e os movimentos sociais locais, caminhamos em passeata pela mesma estrada enlameada em que o casal costumava passar até chegarmos ao ponto onde eles foram covardemente assassinados, em uma emboscada de pistoleiros. Ali se vê uma placa em homenagem aos dois, mas que, por ironia da impunidade que se perpetua na Amazônia, também foi cravada com uma bala três meses depois de ter sido colocada no local, mostrando o total conforto dos criminosos com seus atos.

Assim como aconteceu com outras lideranças assassinadas na Amazônia, como Chico Mendes e Dorothy Stang, apenas para citar os nomes mais conhecidos entre os milhares que já tombaram defendendo a floresta, a morte do casal estava há muito tempo anunciada. Apesar de todo essa histórico e de toda essa gente, elas continuam ocorrendo, como se a lista que identifica os nomes das pessoas ameaçadas fosse na verdade uma sentença de morte e não a possibilidade de o Estado brasileiro agir para evitar os crimes.

Não por acaso, o Brasil continua sendo o país mais perigoso para se trabalhar na defesa do meio ambiente, como foi divulgado recentemente em um relatório da ONG Global Witness. Enquanto a impunidade continuar sendo a regra crimes como esses continuarão ocorrendo. E, enquanto a Amazônia continuar sendo vista sob um modelo de desenvolvimento predatório e excludente que coloca a floresta abaixo para grilar terras, essas mortes também continuarão acontecendo.

No caso de Zé Claudio e Maria, o mandante do crime continua solto e mantém um lote no mesmo assentamento em que eles viviam. Sua presença ali tão perto intimida a família, que, por sua vez, resiste bravamente e continua pedindo por justiça.

Por isso, nesse ano eles vão novamente percorrer o caminho que selou o destino do casal em protesto à impunidade. Mas, para isso, precisam de apoio. “Além de mostrar a nossa resistência, o ato marca a nossa indignação com a impunidade, que gera mais violência e funciona como carta branca para os assassinatos continuarem”, explica Claudelice Santos, irmã caçula de Zé Claudio e idealizadora do ato.

As pessoas que são mortas protegendo a Amazônia estão à frente de uma luta diária e invisível pelo direito de ser diferente. Zé Claudio explicava aos vizinhos que uma castanheira em pé valia mais do que derrubada, pois com o extrativismo ele conseguia extrair lucro da castanheira continuamente, enquanto, quando era derrubada, a árvore dava o lucro apenas uma vez. Depois que ele se foi, ninguém mais faz essa luta diária e local para iluminar as ideias de quem vive ali. O vazio deixado quando uma vida como essa é apagada impacta não só as famílias, mas a todos que, mesmo de longe, se preocupam com a defesa da vida.

Um exemplo disso é contraste entre os 80 hectares que pertencia ao casal, rodeado pela mata nativa, e o restante da paisagem desoladora do assentamento, onde a maior parte da floresta foi posta abaixo.

Por isso o ato de resistência da família é tão importante e o nosso apoio mostra à família e a todos os que resistem que eles não estão sozinhos.

“É muito emocionante a gente saber que as pessoas se importam com essa causa que o Zé e a Maria tanto defenderam e que a gente está dando continuidade. Pra nós, as doações significam apoio, significam que as pessoas se identificam com a causa, que não é só ambiental, é humanitária também”, afirma Claudelice.

Corra porque falta apenas uma semana para doar! A família precisa de seu apoio. Para ajudar, acesse: http://migre.me/pFWhf

Fonte: Greenpeace Brasil

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