Ibama intensifica ações de combate ao desmatamento no Sul do Amazonas

Para combater o desmatamento, a operação conta com veículos adaptados ao solo amazônico e equipe de peritos no sensoriamento remoto, que decodifica as imagens que chegam dos satélites e aponta os alvos a serem vistoriados, garantindo mais rapidez às operações

Mais de R$ 3,5 milhões em multas foram aplicados por agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante a operação “Onda Verde”, que acontece simultaneamente nos municípios de Lábrea e Boca do Acre, no Sul do Amazonas.

Também foram registrados, em 62 áreas vistoriadas, oito autos de infração, oito termos de embargos lavrados, constatado 706 hectares de áreas embargadas.

A operação encontra-se em sua segunda etapa e tem por objetivo coibir o desmatamento ilegal da floresta amazônica.

Últimos levantamentos realizados pelo órgão apontam que os municípios de Lábrea e Boca do Acre estão entre as regiões com maior índice de desmatamento ilegal no Estado.

Segundo o chefe de Divisão Técnica (Ditec) do Ibama no Amazonas, Geandro Guerreiro Pantoja, o instituto trabalha na forma de constatação, baseado nas imagens de satélite com indicativo de desmatamento que é o foco principal da operação combater o desmatamento ilegal na Amazônia.

“Com esses indicativos notificamos as áreas desmatadas e os procedimentos administrativos são tomados como multas e embargos”, explicou Pantoja. Para coibir esses crimes ambientais, a operação Onda Verde acontecerá o ano inteiro.

Áreas críticas

De caráter preventivo, a operação Onda Verde começou em fevereiro e tem seis frentes atuando centradas em áreas críticas, que respondiam por 70% do desmatamento da Floresta Amazônica.

Os fiscais ambientais estão concentrados no Norte de Rondônia, nas imediações da capital, Porto Velho, e no Sul do Amazonas, no eixo da Transamazônica, em que os alertas de desmatamento e de degradação são provocados por pressão da agropecuária, da grilagem e de assentamentos. A operação segue até dezembro.

Para combater o desmatamento, a operação conta com veículos adaptados ao solo amazônico e equipe de peritos no sensoriamento remoto, que decodifica as imagens que chegam dos satélites e aponta os alvos a serem vistoriados, garantindo mais rapidez às operações.

‘Desmatamento zero’

Em visita aos Estados Unidos, no meio da semana, a presidente Dilma Rousseff assinou compromisso de, até 2030, recuperar 120 mil quilômetros quadrados de florestas.

Em entrevista à imprensa, ela se comprometeu ainda a zerar o desmatamento ilegal em 15 anos.

O documento assinado diz ainda que as fontes renováveis, tanto para geração de energia como para biocombustíveis, devem representar entre 28% e 33% do total de recursos usados, também até 2030. A meta não inclui a energia hidrelétrica.

Em números

3,5 milhões de reais em multas foram aplicadas de fevereiro, quando teve início a operação “Onda Verde”, até o meio da semana. O Ibama adverte que quem produzir em terras embargadas, comprar, vender ou transportar produtos oriundos dessas terras, além de perder o produto, os equipamentos e os veículos, responderão por crime ambiental.

Estradas foram alvos do Ipaam

Recentemente, uma operação de fiscalização desencadeada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) resultou na aplicação de sete autos de infração, totalizando pouco mais de R$ 88 mil em multas.

Também foi registrado um termo de embargo, seis termos de apreensão e uma notificação. As ações que tem o objetivo de combater os crimes ambientais em todo o Estado ocorreram nos municípios de Iranduba, Novo Airão e Manacapuru.

A operação contou com a participação de oito fiscais e seis policiais militares do Batalhão Ambiental. De acordo com a Gerência de Fiscalização do Ipaam, durante a operação foi feito o monitoramento minucioso de ramais e vicinais ao longo das rodovias AM-070, AM- 352 e Carlos Braga.

Ao todo foram apuradas 17 denúncias de infrações ambientais que resultaram na apreensão de madeira, motosserra, trator pá-carregadeira e um caminhão.

Por: Náferson Cruz
Fonte: A Crítica

Deixe um comentário