Os efeitos das mudanças climáticas na produção de peixes na região amazônica são discutidos na 67ª SBPC

Uma alternativa para preservar as espécies de peixes será a produção de alevinos, principalmente das espécies que levam anos para chegar à maturidade sexual e se reproduzir, como o pirarucu

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Adalberto Luís Val, aponta que as mudanças climáticas ocorridas nos últimos 20 anos podem causar a diminuição de peixes amazônicos, como o tambaqui (Colossoma macropomum) e o pirarucu (Arapaima gigas), gerando impacto negativo na economia da região.

O assunto foi discutido na manhã desta quarta-feira (15), durante a palestra “O efeito das mudanças climáticas na biota aquática”, na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo.

“Diante de cenários climáticos alarmantes, a piscicultura vai sofrer impacto com a diminuição da comercialização de algumas espécies de peixes na Amazônia”, afirmou o pesquisador.

Segundo estudos feitos pelo pesquisador com microcosmos, as mudanças climáticas causam impacto expressivo na biologia dos organismos dos peixes, como a diminuição do tamanho e a redução de quantidades de peixes nos rios amazônicos.

Mudanças climáticas

Adalberto Val revelou que os 17 dos últimos 20 anos foram os mais quentes da história. O resultado disso será maior em 2050, quando a temperatura da terra aumentará significativamente e disponibilidade de alimentos vai diminuir.

As mudanças climáticas, segundo o pesquisador, não afetam somente a temperatura da terra, mas também a elevação do nível do mar, o derretimento das calotas polares, a diminuição de chuvas e a migração de animais, desequilibrando o ecossistema do planeta.

Segundo o pesquisador, dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que já em 2030 a população global vai precisar de 40% mais água, 35% mais alimentos e 50% mais energia.

Soluções

Uma alternativa para preservar as espécies de peixes será a produção de alevinos, principalmente das espécies que levam anos para chegar à maturidade sexual e se reproduzir, como no caso do pirarucu, que leva sete anos para atingir a maturação sexual.

A Amazônia possui, aproximadamente, 4 mil espécies de peixes, muitas delas desenvolveram um vasto conjunto de adaptações às variações ambientais ocorridas em seus habitats. “Muitas espécies conservaram informações genéticas que permitiram enfrentar níveis altos de dióxido de carbono e ambientes mais quentes”.

Outra alternativa será com base em experimentos e mapeamento genético. “Vamos tentar tornar mais resistente o organismo dos peixes para que não haja taxa de mortalidade maior, para evitar a extinção de determinada espécie”, explicou Val.

Por: Caroline Rocha
Fonte: INPA 

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