Servidores impedidos de sair de aldeia no Acre passam bem, diz Funai

Segundo a Funai, servidores passam bem e não estão sendo feitos reféns. Índios pedem regularização fundiária da aldeia Nawa.

Servidores estão sendo impedidos de sair por índios da aldeia Nawa (Foto: Divulgação ICMBio)

Os quatro servidores que estão sendo impedidos de sair da aldeia indígena Nawa, que fica dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor, em Cruzeiro do Sul, distante 648 quilômetros de Rio Branco, não estão sendo feitos reféns, estão soltos e se alimentando bem. A informação foi confirmada ao G1, nesta sexta-feira (17), pela Fundação Nacional do Índio (Funai) por meio de nota. A situação se estende desde a manhã desta quarta-feira (15).

Entre os detidos estão João Damasceno Filho, que é o administrador do parque, Marbelita Araceli Rodrigues dos Santos e Rútila Ferreira Lima Silva, prestadoras de serviço ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), além de Luiz Valdemir Nukuni, coordenador da Funai na região.

Na nota, a Funai afirma que os servidores não estão sendo tratados como reféns. “Não se trata de prisão, portanto, os servidores não são reféns, apenas o barco que faz o transporte para a outra margem do rio está atracado e amarrado, mas os servidores estão soltos, se alimentam e passam bem”.

O documento ressalta que está em constante diálogo com os representantes da aldeia. “Ontem [quinta-feira, 16] a noite o presidente da Funai falou diretamente, ao telefone, com o cacique João Nawa para negociar a soltura dos servidores que estão retidos na aldeia e a melhor forma de atender as reivindicações feitas por eles”.

A Funai informou ainda que está realizando diálogo entre representantes indígenas, Funai e ICMBio. Deve ser feito entre representantes indígenas, Funai e ICMBio, pois trata-se de uma unidade de conservação, onde já existe estudo de identificação. “A negociação ainda está ocorrendo no dia de hoje [sexta-feira, 17], mantendo-se o diálogo entre Funai e lideranças indígenas. Espera-se que ainda pela manhã haja acordo para que os servidores retornem”, finaliza a nota.

Entenda o caso

Três servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMbio) e um da Fundação Nacional do Índio (Funai) são mantidos reféns na aldeia indígena Nawa, que fica dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor. A situação se estende desde a manhã desta quarta-feira (15). A Polícia Federal tenta negociar com os indígenas. De acordo com informações dos órgãos, a liberação dos servidores só deve ser feita com a presença de autoridade federais.

Na manhã desta quinta feira (16), um servidor da Funai, que não quis passar informações à imprensa, esteve na Delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul para tentar a liberação dos retidos.

O povo Nawa faz parte do tronco linguístico pano e hoje luta para resgatar sua língua materna. Atualmente, a população é de aproximadamente 700 pessoas, divididas em quatro aldeias – Sete de setembro, Zulmira, Aquidabã e Novo recreio – localizadas no Rio Moa, numa área de 83.218 hectares que está em processo de regularização fundiária.

O povo Nawa tinha sido considerado extinto entre os anos 1904 e 1998. Em 1999, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reconheceu os índios que habitavam à margem direita do Rio Moa, na área do Parque Nacional da Serra do Divisor, como sendo remanescentes dos Nawa.

Desde então, se iniciou o processo de reconhecimento étnico e o início da luta pela regularização fundiária do seu território, que culminou com a detenção dos quatro servidores público.

A unidade de conservação da Serra do Divisor tem 8 mil quilômetros quadrados e abrange os municípios de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumartugo, Porto Walter e Rodrigues Alves. O coordenador do Centro de Formação e Tecnologias do Juruá (Ceflora), Evilásio Santos, avalia que o contato dos alunos com a região da Serra do Divisor e sua biodiversidade foi parte imprescindível para formação na área florestal.

Fonte: G1

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