Setor florestal do Mato Grosso cobra melhor atendimento do governo do Estado

Empresários reivindicam melhores condições logísticas, menor carga tributária e desburocratização na emissão do licenciamento ambiental

Um pedido de melhoria no atendimento ao setor florestal na cidade de Aripuanã, no Estado do Mato Grosso, foi entregue ao governador Pedro Taques, em Audiência Pública (AP), esta semana. O presidente do Sindicato de Laminados e Compensados do Estado de Mato Grosso (Sindilam), Carlos Roberto Torremocha, associado do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras do Estado de Mato Grosso (Cipem), informou que, além do segmento florestal, também foram debatidos problemas que a região enfrenta tanto sociais quanto de logística como estradas, comunicação, carga tributária, Licenças da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), principalmente no que tange aos manejos e infraestrutura em geral.

A AP contou, além da presença do governador, com os deputados federais Nilson Leitão e Valtenir Pereira e os estaduais, Oscar Bezerra, Silvano Amaral, Luciane Bezerra, além dos prefeitos de Aripuanã, Colniza, Juína, Espigão do Oeste e Rondolândia e vereadores locais e de vários municípios, representantes de Associações e Sindicatos, além da população local, que compareceu em massa.

Ao final das explanações foi entregue – ao chefe do Executivo e aos parlamentares – a ‘Carta de Aripuanã’, contendo a lista dos problemas e das soluções que são esperadas da gestão estadual. Conforme o documento, Aripuanã é um dos maiores produtores de energia e está entre os maiores produtores de gado, agricultura familiar com grande potencial turístico e lutadores e empreendedores do setor comercial e, agora, se consolida como grande potência mineral. Mas toda a força e pujança da economia do município, por si só, não garantem o desenvolvimento da forma que a região sonha.

“Hoje a principal atividade econômica de nosso município é a exploração sustentável da madeira. Com mais de 60 empresas de desdobramento e beneficiamento de madeira, gerando mais de 1700 empregos diretos e tantos outros indiretos, responsável por mais de 70% da base econômica do município. Mas o setor tem seus problemas”, ressalta o documento, assinado pelo vice-prefeito de Aripuanã, Júnior Antônio Dalpiaz.

A Carta frisa ainda que, no ano de 2015, o setor madeireiro já demitiu 500 trabalhadores devido ao fechamento de várias empresas e, caso o setor continue com tantas dificuldades de operacionalização e funcionamento, principalmente com a morosidade dos órgãos de licenciamento ambiental, os problemas tendem a aumentar. Tudo porque o setor sofre com a demora na liberação do Sicar e com o tempo de liberação dos Planos de Manejos Sustentáveis. “São esses manejos que garantem a produção e, principalmente, garantem a floresta em pé. Sem contar os problemas sociais que essas demissões acarretam, sempre onerando o poder público”, garante a carta.

Ressaltaram também que o município precisa, em média, de 650 mil m³ de madeira em toras/ano para manter as empresas instaladas em pleno funcionamento, atendendo a demanda do mercado nacional, assim como inúmeros importadores de vários países e continentes. Ainda assim, sendo o setor de extração sustentável da madeira a principal atividade econômica, Aripuanã, é um dos municípios que ainda tem a maior preservação de floresta do estado, com uma área de 2.504.496 hectares, e somente 389.760 hectares desmatados, possuindo, portanto, uma média de 84% de floresta intacta. “Nós, de Aripuanã, que conseguimos manter a floresta em pé até hoje, agora estamos com a atividade florestal correndo um sério risco, devido à dificuldade de liberação das licenças ambientais e projetos de manejos sustentáveis, além de elevada carga tributária, péssimas condições de trafegabilidade de nossas estradas, tornando nossos produtos menos competitivos comparados com outros estados da Amazônia, em especial Rondônia, Acre e Pará”, explica o documento.

Destacaram ainda a Pedro Taques que outro aspecto importante que deve ser levado em consideração é que o manejo sustentável é uma arma poderosa contra invasões e desmatamento ilegal. Sendo assim, para que o município não sofra mais, e o estado não tenha queda em sua arrecadação, é preciso urgente desburocratização nas liberações de licenças e planos de manejo florestais. O documento cobra, ainda, a priorização de incentivos fiscais aos empresários florestais que manejam conscientemente a floresta; revisão da carga tributária para que os produtos se tornem competitivos, conservação das rodovias; revisão das taxas praticadas pela Sema (que sejam, no mínimo, equiparadas aos outros estados amazônicos).

Terras Indígenas e estradas

Outro ponto abordado foi a sugestão de o governo pensar em manejo nas Terras Indígenas, tema tão delicado, mas que, segundo eles, é pertinente, pois gerará renda para os índios que ali vivem. E, principalmente, avaliar novos investimentos na pavimentação das estradas como a BR-174, de Castanheira à Colniza, e os 42 km de Aripuanã até Tutilândia encontrando a BR-174. Por fim, querem melhoria das comunicações, telefonia e Internet, primordiais nos dias de hoje.

Fonte: Painel Florestal

Deixe um comentário