Encíclica papal sobre meio ambiente é lançada em aldeia indígena no AM

Documento foi levado para índios Kambeba por grupo religioso. Monsenhor Marcelo Sanchez representou Vaticano em cerimônia.

Tuxaua da tribo Kambeba, Waldemir da Silva, agradeceu a iniciativa do Vaticano (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Tuxaua da tribo Kambeba, Waldemir da Silva, agradeceu a iniciativa do Vaticano (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

O Vaticano lançou encíclica do papa Francisco na comunidade indígena “Três Unidos”, situada na Zona Rural de Manaus, neste domingo (16). O monsenhor Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano, apresentou a mensagem do pontífice sobre desenvolvimento sustentável para índios da etnia Kambeba. A atriz Christiane Torloni participou da cerimônia.

A solenidade ocorreu em uma pequena capela às margens do Rio Cueiras, na comunidade que fica a 60 km da área urbana de Manaus, dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) Rio Negro.

O documento ficou conhecido como “Encíclica verde”, chamada “Laudato si” – “Louvado Sejas”, pelo apelo do papa à preservação do meio ambiente. Na missa, lideranças religiosas da Igreja Católica no Brasil e da Europa apresentaram à comunidade a mensagem do pontífice sobre questões ligadas ao aquecimento global.

O monsenhor Marcelo Sanchez ressaltou que a injustiça social e a degradação do meio ambiente são dois dos principais problemas tratados na carta. O chanceler destacou ainda que os impactos negativos do aquecimento afetam, principalmente, as populações mais pobres do planeta.

“A essência do problema são os combustíveis fósseis usados pela sociedade. O desmatamento também é parte do problema do aquecimento global. Quem mais sofre com as consequências são os povos que contribuem menos no consumo de combustíveis fósseis”, afirmou Sanchez.

O superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, disse que levar a mensagem do papa às populações que protegem a floresta é um ato marcante.

“Na comunidade Três Unidos e em outras comunidades da região, temos os guardiões da floresta. É um momento de agradecer a essas pessoas que cuidaram e vêm cuidando da floresta. O ato de lançar parte da encíclica no Amazonas é um ato singelo, mas é muito simbólico. Um momento especial”, comentou.

Uma missa foi celebrada pelo padre Sidnei Dornelas, com presença de religiosos vindos do Brasil e do Vaticano.

A atriz e ativista ambiental Christiane Torloni acompanhou a cerimônia. Ao G1, ela disse que considera o gesto da Igreja Católica como o mais revolucionário dos últimos 2 mil anos.

“Depois de tudo que temos visto acontecer, esse resgate da palavra de Jesus e resgate do amor à nossa casa, do que nós somos como parte quântica de um todo, é de uma lucidez tão bem-vinda nesse momento de gestos e atos bárbaros. A encíclica é um antídoto que chegou para nós, independentemente de religião e credo que as pessoas tenham. É um estímulo para que possamos fazer algo e para quem está fazendo é um sopro de esperança também. O tempo dirá que a encíclica é um dos livros mais importantes”, afirmou Christiane Torloni.

A encíclica também aborda as novas formas de escravidão, tráfico de drogas e de órgãos humanos. A Carta Encíclica foi publicada em junho deste ano.

Por: Adneison Severiano
Fonte: G1

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