Artistas da Amazônia clamam por independência financeira

Para produzir CD ou fazer turnê pelo Brasil vale produzir eventos, utilizar plataformas virtuais colaborativas ou, simplesmente poupar

Além do Norte, a banda Jam Rock já viajou para Campo Grande, Cuiabá, Teresina, São Luis do Maranhão e se preparam para uma turnê no Sudeste em 2016.  Foto: Reprodução/Facebook Oficial
Além do Norte, a banda Jam Rock já viajou para Campo Grande, Cuiabá, Teresina, São Luis do Maranhão e se preparam para uma turnê no Sudeste em 2016. Foto: Reprodução/Facebook Oficial

Viver da arte não é fácil. Mas isso não é novidade. Para artistas da Amazônia –isso inclui músicos, cantores, desenhistas, atores e cineastas –a dependência de editais públicos e cotas patrocínios limita a realização de projetos e o ‘jeitinho’ brasileiro há de tomar conta! Vale produzir eventos, utilizar plataformas virtuais colaborativas ou, simplesmente poupar. O importante é não desanimar e buscar fôlego num lugar onde a sensibilidade ainda valha à pena.

O músico, Bebeco Pujucan, é integrante e produtor musical dos Cds da banda Jam Rock, de Boa Vista, e comemora a independência quando o assunto é viajar o Brasil levando sua música. “Já viajamos há algum tempo e fazemos, em média, duas grandes viagens por ano”, comenta.

A estratégia é economizar parte dos cachês que recebem e solicitarem –com um pouco mais de sorte –patrocínios de empresas privadas. O que nem sempre dá certo. “Temos um prazer muito grande em termos a oportunidade de conhecer toda nossa região, que é linda e muito diversa”, elogia. Além do Norte, a Jam já viajou para Campo Grande, Cuiabá, Teresina, São Luis do Maranhão e se preparam para uma turnê no Sudeste brasileiro em 2016. Segundo Bebeco, ser independente na Região Norte é bem difícil. “Temos o que chamamos de ‘custo amazônico’ e é complicado visitar todos os Estados devido à expansão territorial”, explica.

Com um EP gravado em 2011 (A Primeira Viagem) e um CD em 2013 (AO Vivo na Casa do Neuber), a banda está em fase de produção com o próximo disco. “Tentamos alguns editais, passamos com dois projetos e estamos em fase de captação, mas o edital não é uma prioridade, é complementar”, defende. CD deve ser lançado em dezembro deste ano. “ Já estávamos gravando CD independente de edital, aí o projeto passou e vamos concluir com auxílio dele”, diz.

O novo trabalho vem com toda experiência adquirida durante as viagens da banda, o que fez com que os músicos aprendessem mais sobre o Norte e se localizassem melhor no mundo. “E essa identidade apareceu no trabalho”.

Filme premiado, mas sem apoio

Cineasta Aldemar Matias é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e diretor graduado na Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba (Eictv), ganhador de várias menções internacionais, incluindo o Primeiro Prêmio do Júri no DocumentaMadrid. Parente (2011) -documentário sobre testes de HIV realizados em comunidades Yanomami e Tikuna da Amazônia, foi financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates e adquirido pelo Ministério da Saúde do Brasil para exibições em Londres e Barcelona.

El Enemigo (2015), seu último curta filmado em Havana, estreou no festival Visions du Réel, na Suíça, e foi selecionado em Biarritz, Tel Aviv, Doc Buenos Aires, Trinidad+Tobago, entre outros. Com um currículo ímpar, Matias tem que ‘queimar os neurônios’ (e abrir a poupança) para acompanhar a série de exibições e premiações de “Em Enemigo”. “Acho louvável a ‘ralação’ da classe artística para realizar seus projetos mesmo sem apoio do poder público. Mas isso não deve amenizar a pressão para que as secretarias e fundações de Cultura apresentem uma política consistente e contínua”, alfineta.

Último filme dirigido em Cuba segue pra San Sebastian, França, Alemanha, Romênia e Argentina. “E ainda assim, conto com zero apoio do poder público estadual e municipal para a divulgação”.

Plataformas colaborativas:

Kickstarter

Se você tem uma boa ideia, mas nenhum dinheiro, este site pode ser uma alternativa. O Kickstarter é uma plataforma de financiamento colaborativo de projetos criativos. Usuário cadastra um projeto no portal e divulga para possíveis patrocinadores durante um tempo preestabelecido.

Neste tempo, os usuários podem decidir investir determinadas quantias no seu projeto, de acordo com a recompensa oferecida. Projetos são financiados no regime “tudo ou nada”. Em outras palavras, caso o montante necessário seja alcançado, o idealizador pode sacar o dinheiro. Do contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta e o idealizador fica com nada.

Catarse

Catarse é a versão brasileira do Kickstarter. Foi criado em 2011 e, segundo o portal, já permitiu a execução de 500 projetos espalhados pelo país, reunindo cinco milhões de reais com o apoio de 50 mil pessoas. Também ligado (mas não restrito) ao setor de projetos criativos, as principais iniciativas são das áreas de design, games, artes, empreendedorismo e ativismo virtual. O Catarse também funciona no regime “tudo ou nada”, incentivando o apoio dos colaboradores (já que recebem o dinheiro de volta caso o projeto não seja executado) e a qualidade das ideias realizadas.

Quero incentivar

Esta plataforma online é voltada para empresas e projetos culturais. Objetivo da rede é democratizar o entendimento das leis de incentivo à cultura no Brasil. Segundo a plataforma, se por um lado, poucas empresas realmente entendem como funcionam os projetos de incentivos fiscais dados pelo governo a quem apoia um projeto cultural, por outro, poucos projetos culturais sabem como apresentar adequadamente suas ideias para serem aprovados nos editais das leis. Assim, além de promover a interação entre as pessoas desses grupos, portal disponibiliza material e bons exemplos de como isso pode gerar mais ganhos para os empresários e mais projetos com incentivos.

Patreon

Que tal tornar-se patrono de seus canais de YouTube favoritos ou blogs e podcasts que mais acompanha? O Patreon é um serviço online que permite que diversas pessoas podem fazer doações em dinheiro para seus youtubers/ bloggers favoritos, de maneira a ajudá-los a continuar com os projetos do site. Em troca, eles oferecem conteúdos adicionais exclusivos, como sessões de conversa ao vivo ou vídeotutoriais

Financiamento Coletivo ou Crowdfunding?

Dois nomes para a mesma prática em que pessoas contribuem com pequenas quantias para juntas viabilizarem projetos. Crowd é multidão em inglês, funding, financiamento. Crowdfunding é financiamento pela multidão.

Fonte: Jornal do Commercio

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