Situação das línguas indígenas no Amazonas é discutida na Primavera dos Museus, no Inpa

O Grupo Wotchimaücü abriu o evento encantando a plateia ao cantar músicas indígenas na língua nativa

“Se as comunidades indígenas não se empenharem para salvaguardar suas línguas nativas e não houver incentivo de estudo para as línguas indígenas, a tendência é que elas desapareçam”. O alerta é da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Ana Carla dos Santos Bruno, durante o encerramento da 9ª Primavera dos Museus, na última sexta-feira (25), no Auditório do Bosque da Ciência.

Doutora em antropologia e linguística, com ênfase em linguística indígena, a pesquisadora fez palestra sobre a “Situação das línguas indígenas no Estado do Amazonas”. Para a pesquisadora, o Estado deveria ter mais interesse nas políticas públicas de incentivo ao ensino e pesquisa das línguas indígenas faladas na região.

A pesquisadora também chamou atenção para a importância do estudo das línguas indígenas para formular hipótese sobre o passado, entender a organização social dos grupos, conhecer o cotidiano dos índios e a relação deles com o meio ambiente, aprender os sistemas nativos de classificação de espécies animais e vegetais e mapear os empréstimos linguísticos.

No encerramento do evento, o Grupo Wotchimaücü Tikuna que significa coletividade) encantou a plateia ao cantar músicas de sua cultura em sua língua-mãe. Como parte extra da apresentação, o grupo mostrou o ritual “moça nova”, que funciona como uma espécie de passagem da infância para a vida adulta.

Estudo

Grande parte das línguas indígenas do Brasil, de acordo com Ana Carla Bruno, é falada no Amazonas. Mesmo assim as instituições de ensino superior e de pesquisa do Estado não têm tradição em estudar essas línguas.

“Assim como o português, as línguas indígenas também têm suas gramáticas e podem apresentar fenômenos bastante interessantes que não ocorrem em outras línguas do mundo”, revelou a pesquisadora.

Além das estruturas faladas no cotidiano, ainda existem múltiplos gêneros de fala dentro de uma aldeia indígena, como os cantos, lamentos, falas cerimoniais, mitos e etnopoética que são melhor compreendidos após anos de estudo e proximidade com a língua.

Preconceito

Segundo Ana Carla Bruno, o preconceito linguístico existe, e pode até levar a atitudes de exclusão ou discriminação. “Os indígenas se sentem envergonhados e acabam trocando a língua nativa pelo português, e isso pode resultar na extinção de uma língua”, enfatiza a pesquisadora.

Por: Caroline Rocha
Fonte: INPA

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