Avião solar não tripulado vai coletar dados atmosféricos na Amazônia

Avião vai levantar informações atmosféricas sobre ventos, temperatura e radiação em lugares nunca estudados

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Cientistas do Laboratório de Sistemas Autônomos da Universidade ETH, de Zurique, na Suíça, vão coletar dados atmosféricos nas florestas do Pará de maneira inédita: usando um avião solar não tripulado. O equipamento – desenvolvido durante o doutorado de um estudante da ETH e batizado de AtlantikSolar– vai sobrevoar um trecho da floresta saindo de Barcarena em direção a Melgaço, onde fica uma parte da Floresta Nacional de Caxiuanã, no dia 22 de outubro.

O avião vai levantar, por meio de sensores, informações atmosféricas sobre ventos, umidade, temperatura e radiação em trechos da floresta antes nunca estudados. O voo do AtlantikSolar foi autorizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Cindacta IV de Manaus (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo).

Hoje, o Brasil coleta esse tipo de informação na floresta por meio de redes de estações meteorológicas de superfície e por meio de balões. “A Amazônia tem extensas áreas de floresta densa, fechada, cujo acesso é dificílimo e a logística é muito complicada. Por isso, a instalação de sensores de superfície e, principalmente, a sua manutenção, são um desafio muito grande e dispendioso”, diz Carlos Alberto Freitas, Gerente Regional de Belém do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), um dos parceiros locais do projeto.

Informações meteorológicas são importantes para entender a dinâmica da floresta. Muitos estudos já realizados na Amazônia mostram, por exemplo, que grande parte da umidade do Oceano Atlântico é transportada pelos ventos para a floresta amazônica, interage com os ciclos biogeoquímicos da floresta e continua sendo transportada até as regiões Sudeste e Sul do país, levando chuva. “Toda informação adicional passível de ser obtida permite que avancemos no conhecimento e nos possibilita compreender melhor como a natureza e a sociedade podem ser influenciadas pela variabilidade natural do clima”, diz Freitas.

Para os suíços, o voo servirá como um teste para averiguar a autonomia e a resistência da aeronave em condições climáticas diferentes das encontradas nas Europa. Todos os dados coletados no voo, no entando, ficarão a cargo do Censipam, que cuidarpa da disponibilização das informações aos parceiros. Os dados podem ajudar na condução de novos estudos sobre a região amazônica.

“Esse tipo de aeronave pode oferecer informações mais precisas e com maior qualidade do que as geradas pelos satélites, de forma mais rápida e mais barata, tornando-se uma boa opção para aprimorar o monitoramento em áreas de médio porte”, diz Philipp Oettershagen, doutorando do ETH Zurique e responsável pela aeronave.

Ele é coautor de alguns dos estudos científicos apresentados em conferências internacionais durante o desenvolvimento do equipamento. Só neste ano, a tecnologia foi apresentada na ICRA (International conference on Robotics and Automation), nos EUA, e no Field Service and Robotics Conference, no Canadá.

O equipamento também possui uma câmera de alta resolução capaz de criar imagens em 3D e em infravermelho, o que pode ajudar a encontrar pessoas e animais em situações de desastre ou de difícil acesso –como refugiados no mar.

Em teste recente, os criadores do AtlantikSolar já tinham conseguido uma autonomia de voo de 81 horas seguidas, de 14 a 17 de julho, na Suíça –um recorde mundial para aeronaves não tripuladas com menos de 50 kg. “Agora, a ideia é sobrevoar uma região completamente desconhecida”, diz Oettershagen. A longo prazo, os cientistas planejam cruzar o Oceano Atlântico –daí vem o nome do equipamento.

Na floresta

O voo na floresta entre Belém e Caxiuanã, no Pará, deve durar cerca de sete horas e será inteiramente acompanhado de barco pelos cientistas e por alguns dos parceiros locais do projeto. As autorizações foram solicitadas pelo Censipam, que é um dos parceiros locais essenciais para execução do projeto, ao lado do Instituto Emilio Goeldi, a Universidade Federal do Pará, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e Secretarias do Estado do Pará.

O voo marca o fortalecimento de parcerias científicas e de inovação tecnológica entre Brasil e Suíça, por meio de novas colaborações e parcerias entre pesquisadores. “A Suíça não está vindo, está voltando a fazer ciência na Amazônia, depois de pouco mais de um século”, diz Mayra Castro, diretora da Swissnex Brazil em São Paulo, referindo-se ao zoólogo suíço Emílio Goeldi (1859-1917), que chegou no Pará em 1894 para estudar o bioma local e acabou dando nome ao hoje Museu Paraense Emílio Goeldi.

Fonte: Portal Amazônia

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