Incêndios fazem governo decretar emergência em 12 cidades do AM

Estado registrou recorde de incêndios com mais de 11 mil focos neste ano.
Previsão é de que chuvas fiquem abaixo do normal até dezembro.

Bombeiros durante combate a incêndio no interior do estado (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
Bombeiros durante combate a incêndio no interior do estado (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
O Governo do Amazonas decretou nesta terça-feira (13) estado de emergência em 12 cidades por causa do alto número de incêndios registrados nos últimos meses. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), prevê que governo e prefeituras executem as medidas necessárias para minimizar as ocorrências e os efeitos das queimadas. Há 13 dias Manaus amanhece encoberta por uma nuvem de fumaça densa e cinzenta que dificulta a respiração e atrapalha a visibilidade.
A vigência do decreto será por 90 dias e abrange as cidades de Manaus, Autazes, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva.
De acordo com o governo, para combater os incêndios devem ser entregues kits compostos de equipamentos e materiais para Brigadas de Combate a Incêndios formadas na área de influência da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho.
Imagem do Inpe mostra focos de incêndio no estado (Foto: Reprodução/Inpe)
Imagem do Inpe mostra focos de incêndio no estado (Foto: Reprodução/Inpe)
Também foi anunciada a criação de um Centro Integrado de Monitoramento Ambiental e formação de novos brigadistas. O Executivo Estadual informou que ainda não se sabe o custo exato das ações, mas deve girar em torno de R$ 5 milhões.
“Como é uma ação conjunta com os municípios e Prefeitura de Manaus e vou apelar também para a União, quero imaginar que é algo em torno de R$ 5 milhões, sem considerar a estrutura do Estado, que tem um custo que é o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Secretaria de Saúde, que teve que aumentar o trabalho em torno das doenças recorrentes. Portanto, se somarmos tudo isso, dá um valor bastante substancial”, disse o governador, José Melo.
Este ano, o estado registrou recorde de incêndios, com 11.104 focos. O número é o maior já registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que contabiliza os dados via satélite há 17 anos. Somente em setembro, foram mais de 5 mil casos. Em outubro, há ao menos 1.063 ocorrências.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) o período de seca deve se estender até dezembro. A previsão é de que as chuvas fiquem abaixo do normal na capital e em parte do interior do Amazonas.
Desde o início do mês, órgãos ligados ao estado e municípios que compõem o Sistema do Comando de Incidentes (SCI) reúnem-se para discutir as ações. Uma força-tarefa foi montada para tentar conter a situação. No entanto, as ações eram realizadas apenas na capital e Região Metropolitana.

O secretário de Meio Ambiente, Antonio Ademir Stroski, disse que equipes fazem sobrevoo na cidade para identificar focos de calor e que produtores rurais serão orientados a não queimar a área que será utilizada no plantio.

“Tínhamos a concentração de queimadas em Apuí e Boca do Acre, ou seja, Sul do estado na primeira quinzena de setembro. Da segunda quinzena [para cá], já vemos a região metropolitana de Manaus com destaque. Oito dos 15 primeiros na lista com maiores focos de incêndio estão na região metropolitana de Manaus”, disse.
Nuvem de fumaça
O clima seco, influenciado pelo fenômeno El Niño, facilita a propagação de incêndios, principalmente em áreas de vegetação. Em razão disso, uma nuvem de fumaça cobre o céu de Manaus há mais de uma semana.
A fumaça cinzenta e densa dificulta a respiração, além de prejudicar a visibilidade em ruas e avenidas da capital.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que o problema aumentou em 15% as chamadas para o número 192 do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), na cidade.
A situação é considerada mais crítica no interior. A cidade de Careiro, a mais de 100 Km de Manaus, lidera o ranking de focos com 85 casos, seguida por Autazes com 80 focos e de Careiro da Várzea, com 71. Lábrea tem 67 focos de queimadas. O número também é considerado alto em Manacapuru, com 57 registros, Presidente Figueiredo com 45, Borba com 43, Manaquiri 42 e Caapiranga com 30 focos de incêndios. Manaus aparece com cinco casos. Os dados são referentes a registros do Inpe entre o período de 1º a 13 deste mês.
Verão amazônico
Em setembro, a capital só registrou um dia com chuva, no dia 4, quando choveu apenas 15,8mm, conforme registro da estação meteorológica do Inmet. A previsão era de que chovesse no mês entre 43mm e 83mm. Em razão disso, setembro foi considerado extremamente seco para o período.
No mês passado, a capital registrou a mais alta temperatura dos últimos 90 anos, com 38,9ºC. O Inmet atribui a intensificação do calor ao fenômeno El Niño.
Desde janeiro deste ano o Corpo de Bombeiros já atuou em 528 ocorrências de combate a incêndios em todo o estado, sendo 276 registros somente em Manaus. A corporação está formando 541 brigadistas.

Fonte: G1 Amazonas

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