Ribeirinhos do Amazonas compartilham experiência com líderes empresariais em São Paulo

Durante o Sustentável 2015, moradores do Rio Negro contam como têm mudado de realidade após participarem de ações de empoderamento e geração de renda

Nesta quinta-feira (08/10), ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, beneficiados por projetos da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), estarão em São Paulo para o 7º Congresso Internacional do Desenvolvimento Sustentável, o Sustentável 2015, que reúne representantes do setor empresarial e especialistas em sustentabilidade. Realizado há uma década pelo Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Congresso firmou-se como um dos principais eventos sobre sustentabilidade na América Latina. Na ocasião, o líder comunitário José Roberto e jovens participantes do projeto Repórteres da Floresta compartilharão suas histórias com o público presente.

“Este grupo é um exemplo de como a sensibilização e o engajamento transformam realidades. Os líderes empresariais que estarão no evento poderão aprender e se inspirar com a história dessas pessoas”, afirma Virgílio Viana, superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável. Todos eles participam de projetos da FAS que visam o envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida de aproximadamente 40 mil pessoas e de 574 comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia.

José Roberto participará do painel inaugural do evento às 9h, sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Morador da comunidade Terra Preta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, teve na extração ilegal de madeira sua única fonte de renda durante toda a vida, um retrato de dezenas de famílias do interior do Amazonas que desmatavam para sobreviver. Com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Roberto deixou a extração ilegal de madeira para se tornar presidente da Associação de Comunidades Sustentáveis da RDS Rio Negro, associação que representa mais de 1,5 mil famílias moradores da reserva.

“Hoje mudamos de realidade, muitas comunidades tem investido no turismo comunitário como alternativa econômica, e aumentando a renda das famílias por meio do manejo sustentável de madeira, algo que nem sabíamos que existia”, declara o líder.

Já os Repórteres da Floresta, alunos do Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) Agnello Bittencourt Uchôa, falarão como este projeto busca trazer protagonismo para os próprios comunitários, envolvendo vários personagens que desempenham atividades sustentáveis. Entre eles, estará Odenilze Souza Ramos, 18, da comunidade Carão, que destaca como tem sido participar da iniciativa.

“É algo que estou gostando muito de fazer. Compartilhamos várias atividades das nossas comunidades e buscamos entrevistar nossos vizinhos, para que eles possam contar a história do que está acontecendo e que mais pessoas possam saber como é ter uma vida mais sustentável”, comenta a aluna do NCS Agnello Bittencourt Uchôa, uma escola localizada na comunidade do Tumbira, que oferece educação diferenciada e adaptada a realidade local.

O projeto é orientado pela professora Laís Garrido, que encara a viagem como um incentivo não só para os alunos, mas para os participantes do seminário. “É importante levarmos uma aluna com grande potencial da floresta, pra melhorar a comunicação deles com as pessoas de fora, aprender as coisas, e replicar as ações que desenvolvemos nos Núcleos, e mostrarmos que é possível fazer essas ações na cidade”, comenta a professora.

Fonte: FAS

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